A Tentação do Pastor Saulo


Um conto erótico de Tiago/
Categoria: Homossexual
Data: 13/04/2019 23:44:41
Nota 10.00

Bem, pessoal, esta é reedição de um conto que postei anos atrás. Decidi torná-lo maior e melhor. O conto do Pastor, lembram? Agora está mais profundo e mais bem escrito. Espero que vocês gostem.

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Não é fácil seguir os seus sonhos quando a estrada está repleta de brasas. Não é fácil ser você mesmo quando todos a sua volta te forçam a vestir uma máscara. Eu deixei que me manipulassem até que minhas asas estivessem longas o suficiente para refutá-los. Em meio a julgamentos e à repressão, eu escolhi a mim mesmo como a pessoa mais importante do mundo. E essa decisão tornou todas as minhas escolhas posteriores muito mais fáceis.

Fui criado numa família extremamente religiosa, do tipo que possui o mínimo de liberdade, então essa questão de livre arbítrio sempre foi um paradigma para mim. Por muito tempo eu segui exatamente o caminho que esperavam de mim, no entanto, mesmo o meu comportamento regrado pelos moldes da minha família não impediu os comentários maldosos e as acusações sobre coisas que eu não havia feito ou sequer faria. Injúrias que vinham de todos os lados até um momento em que não pude mais suportá-las e decidi abrir minhas asas.

— Você não pode deixar isso acontecer, Gustavo! – Meu pai esbravejava na sala. – Não pode! É o nome da nossa família que está em jogo. É o meu nome!

— Eu já disse que não sei do que o senhor está falando. Eu acabei de chegar da minha prova. O senhor nem perguntou como foi e já vem cheio de apontamentos.

— Hoje, na fila do supermercado, sua mãe e eu tivemos que ouvir comentários nada agradáveis sobre você. Imagina a vergonha que eu senti quando disseram que o meu filho é... – Ele não conseguiu dizer a palavra. – Isso já está se tornando rotina e está completamente insuportável. Seus irmãos não me fazem passar por isso. É revoltante. Dá vontade de socar esse pessoal, e a você também, por dar margem a esses comentários.

Eu imaginava do que ele estava falando. Até podia identificar os autores dessa conversa: os conhecidos da igreja que frequentávamos. Se a fé dessa gente fosse tão grande quanto a língua, operariam milagres simplesmente ao abrir a boca.

— Não sei o que disseram ao senhor ou o que falaram sobre mim. Mas seja o que for, eu não fiz absolutamente nada de ruim. O senhor sabe que eu vivo para estudar. Eu já disse que acabei de voltar da minha prova. O que mais eu poderia ter feito?

— Não é algo que você fez, Gustavo, é como você é! Essa é a questão. Eu já tentei de todas as formas te fazer agir como um... homem. Só que você não me escuta, meu filho. Por que não sai com seus irmãos? Com os amigos deles? Faça coisas mais masculinas ao menos para calar esse pessoal.

— Mas pai, eu...

Fiquei sem ter o que dizer para me defender. Ele não entenderia o meu lado de qualquer forma, e eu não sabia como enfrentá-lo. Não sabia o que significava exatamente agir como homem. Eu já tinha feito tudo o que podia. Me policiava dia e noite para não deixar transparecer qualquer sinal de homossexualidade em mim, fosse na voz, nos gestos ou no modo de vestir.

Eu era um garoto estudioso que tinha acabado de completar dezoito anos, mas isso não bastava, e eu com certeza não conseguiria atingir às expectativas que me impunham. Tantos olhos sobre mim tornavam muito difícil a minha vida. Quando se tem a minha orientação sexual numa cidade pequena, parece que suas ações são de domínio público, e não adianta reclamar das injustiças, pois você sempre estará errado.

— Todos percebem o seu jeito. Todos! E você não se importa. Você não faz nada para ser diferente. Veja o seu irmão: já serviu o exército, já vai se casar. E você?

— Eu não sou ele, pai, eu sequer tenho vinte anos. Não posso me condenar a um casamento agora.

— Condenar? Condenar?! Olha o jeito que você fala! O que você quer, Gustavo? Que tipo de vida você quer, meu filho? Não me diga que vai se tornar uma dessas coisas que aparecem na TV? Eu sinceramente prefiro te ver longe daqui antes disso.

Há muito eu já sabia que esse momento inevitavelmente chegaria. Esse confronto entre meu pai e eu. Minha mãe estava na cozinha ouvindo tudo, mas a voz do meu pai também era a voz dela, então não precisava dizer nada, ele cuidaria de tudo em nome da família inteira. Tinha uma pressão em meu peito, uma vontade de explodir, de gritar, mas o meu comportamento dócil e respeitoso me impedia de fazer isso, então eu me contentei em chorar e dizer ao limpar minhas lágrimas:

— Não, pai, não vou me tornar ninguém. Eu sou esse que você vê. Prometo que não vou envergonhar o senhor. Só peço que não acredite nas coisas que ouvir sobre mim, são inverdades de gente mesquinha. Eu me comporto na rua da mesma forma que me comporto em casa.

— Tudo bem, Gustavo. – Ele abrandou a voz, mas manteve a seriedade. – Eu confio em você. Apesar de tudo, você é um bom rapaz no fim das contas. Só tem uma coisa que te peço, aliás, que eu quero que você faça.

— O quê?

— Conversei com o pastor Saulo hoje mais cedo e pedi que te desse alguns conselhos. É um homem muito mais sábio e compreensivo do que eu. Vai saber te ajudar.

Mas ajudar com o quê? O que ele poderia fazer por mim? Orar pedindo libertação? Isso eu já tinha feito muitas vezes. Não adiantou também. A não ser que desse margem aos meus devaneios platônicos cultivados desde a adolescência, e isso com certeza era impossível.

— Ele estará te esperando às três horas no escritório da igreja. Agora vá lavar esse rosto e volta para almoçar. Seus irmãos já devem estar chegando.

— Sim, pai. Obrigado.

Não sei por que o agradeci, acho que por ter encerrado aquela conversa excruciante e constrangedora. A tortura tinha acabado, ainda que momentaneamente.

Enxugando os olhos, eu segui para o meu quarto e me joguei sobre a cama amaldiçoando a vida e o meu nascimento. Apesar daquela tensa situação, de todos os males, conversar com o pastor ainda era o menor. Eu preferia isso a ser escorraçado de casa sem ter para onde ir. Sim, porque meu pai de certo chegaria a esse extremo se se sentisse ameaçado por alguma desonra que eu lhe traria. Por isso, tinha que manter a calma e suportar aquela opressão até finalmente ganhar minha carta de alforria, que viria na forma de uma bolsa universitária. Se eu passasse naquela prova e conseguisse essa dádiva, eu estaria finalmente livre e longe dali.

Viver naquela casa, naquela cidade, era como viver séculos no passado. A santa inquisição viria para mim cedo ou tarde. Se ao menos eu fosse uma bruxa, poderia criar uma poção que me fizesse “agir como homem.”

Talvez o pastor cuidasse disso por mim. Mas o que ele faria? Esconjuraria o demônio do meu corpo igual nos filmes de exorcismo? Quem sabe um dia contassem minha história num filme de terror. O pastor Saulo não era um homem de gritar e berrar, mas talvez o meu caso o forçasse a isso. Nós descobriríamos em algumas horas.

A igreja era perto da minha casa, e o dia, apesar de quente, estava nublado, então pude ir às três da tarde sem torrar sob o sol ou precisar de um guarda-chuva. O escritório onde teríamos nossa seção de exorcismo ficava nos fundos da igreja, uma pequena casinha pintada de branco e cercada de plantas. O portão que dava acesso ao terreno do templo estava destrancado, eu abri devagarzinho para não fazer barulho e me esgueirei pelos lados da igreja até chegar ao final.

Em frente ao escritório havia uma pequena árvore com várias flores brancas que pendiam para baixo em finos galhos. Sempre as achei belas e gostava de ficar embaixo delas antes ou depois dos cultos, quando minha família ficava conversando com os outros, e eu me escondia num canto esperando a hora de ir para casa.

Em meu nervosismo, preferi permanecer ali em vez de bater na porta do pastor para ter uma conversa que seria no mínimo vergonhosa. Ele também já devia ter ouvido coisas nada legais sobre mim, e sendo um homem religioso, com certeza tinha seu próprio julgamento a meu respeito.

Por várias vezes me envergonhei na frente dele. Sempre o achei gentil, amigável, acolhedor, como um pastor deve ser. Por outro lado, sempre cultivei sensações nem um pouco ortodoxas quando o olhava com maior atenção. Não era algo em que eu pensava muito. Poucos homens conhecidos me atraiam de verdade, e o melhor deles estava a alguns metros de mim, pronto a colocar uma dinamite na pequena fixação que eu tinha por ele sem sequer ter conhecimento disso.

— Gustavo? – Saulo abriu a porta do escritório e me viu cheirando as flores. – Que bom que você veio. Estava à sua espera.

Eu sorri abobalhado e larguei o galho que segurava. Diante de um homem tão atraente e respeitável, pensei em como seria ouvir aquelas palavras numa outra situação. Talvez eu precisasse mesmo de um exorcismo.

O pastor Saulo, no auge dos seus trinta e cinco anos, é casado e tem duas filhas pequenas. Funcionário do governo, recebe um ótimo salário que pode ser observado na constituição de sua bela casa e nas melhorias que manda fazer na igreja. Fisicamente é um homem muito apreciável. Não é exatamente malhado com o corpo delineado, mas têm músculos nos braços e pernas que saltam a vista. Seus cabelos são pretos, sempre com um corte social e alguns fios grisalhos que se anteciparam no tempo.

Faz alguns anos que mantenho um singelo desejo por ele. Uma atração que começou assim que entrei na puberdade e que se intensificou à medida que os anos passavam e eu tomava conhecimento, ainda que teórico, das maravilhas que o corpo masculino pode oferecer. Por essa razão, geralmente quando trocávamos alguma palavra na igreja, eu quase sempre abaixava a cabeça, intimidado pelo desejo que ardia em mim.

Na ocasião, ele usava uma camisa social branca e uma calça social preta. Os dois primeiros botões da sua blusa estavam abertos, provavelmente por causa do calor. Isso me deixava ver os pelos negros do seu peito. Um prêmio por aquela conversa eu já tinha ganhado.

Ele segurava alguns documentos e uma caneta, podia-se notar que estava ocupado, ainda que estivesse a me esperar também.

— Me desculpe, pastor, meu pai insistiu nessa história. Se o senhor tiver algo mais para fazer agora, eu posso voltar mais tarde.

— Não, Gustavo, você pode ficar. Estou terminando aqui. Conversamos em alguns minutos. Entre, por favor.

Com um sorriso amigável, tão comum vindo dele, me pediu que sentasse frente a sua mesa. Ela estava cheia de papéis, livros e revistas religiosas. Ele também sentou e, com sua caneta azul, voltou a resolver seus assuntos. Ficamos em silêncio por um tempo, só o barulho dos papéis se ouvia. Eu olhava o seu rosto com certa admiração enquanto ele assinava aqueles documentos. Realmente tinha uma paixãozinha por aquele cara.

Após concluir sua tarefa, ele me deu uma piscada de olho e guardou suas coisas na gaveta. Finalmente, sem mais atrasos, o meu martírio vespertino foi iniciado:

— Então, Gustavo, como você está?

— Muito bem... levando a vida. E o senhor?

— Igual a você. – Apoiou seus cotovelos sobre a mesa. – Hoje o seu pai veio falar comigo, me pediu para conversarmos. Concorda com isso? Não quero que esteja aqui obrigado. Só quero esclarecer algumas coisas.

— Sim, eu concordo. O senhor pode falar. Estou aqui para ouvi-lo.

— Na verdade, Gustavo, eu gostaria que você falasse. Gostaria de conhecer o seu ponto de vista sobre aquilo que o seu pai me falou.

— Não entendo... O que o senhor quer que eu diga?

— Quero que você me diga tudo o que sente. Quero saber seus desejos e anseios.

— Eu... realmente não sei o que dizer. Eu nem deveria estar aqui, não acho que precise disso.

— Todos precisam de alguém que os ajude, Gustavo. Eu não vou te julgar. Apenas uma pessoa pode fazer isso, e ela está muito acima de todos nós. Só quero te ajudar a encontrar o caminho certo.

— Essa é a questão: eu não estou perdido e nem fiz nada de errado, mas não posso controlar a língua de quem quiser me apontar. As pessoas estão me esmagando sem que eu lhes dê um motivo. Eu sou apenas eu, me desculpe se não sou bom o suficiente.

— Não é isso, sei que você é um bom garoto. Te conheço faz anos. Meu dever é ajudar a todas as pessoas. Confie em mim e nós conversaremos como grandes amigos.

Aquilo me cansava. Eu falava e falava, mas nunca era ouvido realmente. Do que adiantaria aquela conversa se meus argumentos eram ignorados?

— Sim, pastor, claro que eu confio no senhor. Pode perguntar o que quiser. – Decidi que ir direto ao ponto faria aquele flagelo acabar mais rápido.

— Gustavo, nós estamos aqui hoje porque o seu pai me confidenciou a preocupação de que você seja homossexual.

Um pouco envergonhado, eu abaixei a cabeça diante dele. Por mais que fosse verdade, ainda me trazia constrangimento quando alguém falava, mesmo de uma forma gentil como aquela.

— O que você me contar eu não direi a ele, apenas o que você quiser. Tudo bem? Aceita falar comigo?

— Sim, aceito. Responderei honestamente.

Ele se ajeitou na cadeira e entrelaçou os dedos sobre a mesa. Com sua voz mansa, mas firme, questionou sem maiores rodeios:

— Você é gay, Gustavo?

— Sim, eu sou.

— Quando isso começou?

— Desde que consigo me lembrar. Eu não acordei um dia e me descobri assim. Até onde minha memória alcança, eu sempre fui.

— Já tentou lutar contra esse sentimento?

— Não é exatamente um sentimento, não nesse sentido abstrato de amor e ódio. É físico. Nem o senhor e nem o meu pai decidiram sentir atração por mulheres. Da mesma forma, uma pessoa homossexual, seja homem ou mulher, não escolheu se atrair por alguém do mesmo sexo. Esse não é um discurso que ouvi em algum lugar, é a minha experiência, e tenho certeza que a dos outros também. E respondendo a sua pergunta: eu já lutei contra isso mais vezes do que posso contar nos dedos, porém, nada muda.

Saulo balançou a cabeça em aprovação.

— Entendo. Mas você deve aprender que a perseverança e a força de vontade podem vencer muitas guerras, mesmo as que parecem perdidas.

Aquilo era tão previsível. As pessoas nunca entendiam, ou se faziam de doidas. Mesmo eu explicando com todas as letras, ele ainda tratava como um vício, ou um hábito que poderia ser evitado.

Uma opinião massificada na cabeça dos outros não se muda tão fácil. Me dava muita raiva e eu geralmente ignorava quando ouvia comentários soberbos sobre esse tema, mas se eu tinha que manter aquele diálogo, então faria da melhor forma possível.

— Acredite em mim, se houvesse uma mágica, uma pílula que me fizesse mudar, eu tomaria imediatamente... Eu até aceitaria um banho de descarrego se fosse o caso. Porque eu não quero uma vida de apontamentos, nem me tornar um eunuco para agradar os outros. Infelizmente eu sou desse jeito.

— As maiores vitórias não vêm de graça. Vencer não é fácil. Somos humanos e somos falhos. Mas se nos apegarmos ao que é correto, nós podemos nos tornar pessoas melhores.

Então eu era uma pessoa menos boa e correta? Tive vontade de levantar e deixá-lo falando sozinho, mas o meu respeito por ele me fez relevar suas opiniões equivocadas sobre algo que desconhecia.

— Seu pai me disse que você nunca namorou. Já tentou namorar alguma garota?

— Eu acabei de completar dezoito anos. Namorar antes disso não seria errado? Ou tudo bem fechar os olhos nesse caso?

Ele se incomodou com a minha resposta atravessada, sua feição não podia negar que ficou surpreso. Algo dentro de mim estava finalmente ganhando voz e coragem para rebater meus adversários.

— Desculpe, não pensei direito ao falar isso. Foi erro meu. No entanto, agora que já é adulto, que tal tentar ter um relacionamento normal com uma boa moça?

— Para quê? Para enganá-la? Não seria justo com nenhum de nós. Eu sou gay, não bissexual. Vamos encarar os fatos, pastor: não importa o que façam ou digam, nem o senhor e nem o meu pai podem alterar quem eu sou. Quem sabe uma lobotomia ajudasse, mas não sei se ainda é permitido. – Essa última parte foi exclusivamente para deixá-lo inquieto, para fazê-lo entender quem era o vilão.

— Não, é claro que ninguém jamais tentaria algo tão radical. Nem eu e nem o seu pai queremos te forçar a nada. Qualquer decisão que um dia seja tomada, é sua e não nossa.

— Então por que estou aqui?

— Por que você é jovem, inexperiente, e o mundo pode não ser tão liberto quanto muitos fazem parecer. Por isso achei uma boa ideia conversarmos.

— Bem, eu agradeço sua preocupação. Mas nesse caso, a única decisão realmente em minhas mãos é viver isolado e infeliz para que não sintam vergonha de mim. Eu acabei de dizer que já tentei muitas vezes ser diferente, ser como vocês querem que eu seja, mas eu não consigo. Não é falta de vontade, é falta de poder. O senhor realmente acredita que eu gostaria de ter sofrido tudo o que sofri na escola?

— Não, Gustavo, eu não acredito. Eu sei que não é algo que você domine. Me perdoe por me expressar errado às vezes, é o hábito e uma maneira de falar. Me desculpe. Eu não sei como é estar na sua pele.

— Tudo bem. Já estou acostumado.

Aquela conversa estava tendo um resultado diferente do que imaginei. Eu acreditei que sairia triste e conformado, mas estava ficando incomodado e irritado. Todo mundo agia como se eu fosse rodado e rebelde, quando na verdade eu era virgem e estudioso. Todavia, o fato da minha sexualidade saltar aos olhos fazia as pessoas me olharem como alguém perverso. Às vezes dava vontade de ser mesmo, só para corresponder às expectativas.

— E garotos? – Ele questionou um pouco tímido. – Você já ficou com algum rapaz? Sente desejos por algum?

— Se eu tivesse ficado, o senhor já saberia. Todo mundo saberia. Sem fazer nada, já me denunciam, imagine se fizesse.

— Compreendo... e acredito em você. É que na sua idade, é comum fazer as coisas escondido algumas vezes. Seu pai me disse ter muito medo de você causar algum escândalo, mas ele é um homem à moda antiga, então deve relevar esses pensamentos arcaicos. Não tenha raiva dele por isso.

Eu cobri o rosto com as mãos, não de vergonha ou tristeza, mas de cansaço ao pensar na minha sorte. Diferente das pessoas que eu via na TV, eu nunca tive orgulho da minha condição de homossexual. Sempre tive consciência dos mais diversos desafios que ela me traria, e gostaria de poder evitá-los o máximo que pudesse, mas parece que não tinha jeito, a começar pela minha família, na qual eu era o único fora da linha. Desapontado comigo e com o mundo, suspirei e respondi olhando para os papéis em sua mesa:

— Pois o senhor pode dizer ao meu pai que fique tranquilo, eu nunca fiquei com ninguém, nem homem e nem mulher. Sendo muito honesto, eu já fui cantado, paquerado, outros rapazes fizeram gracinhas comigo, tentaram me apalpar a...

Parei de falar pois fiquei com vergonha da palavra que viria automaticamente. Pigarreei e alterei a frase:

— Tentaram passar a mão aqui atrás, se é que o senhor me entende. No entanto, eu sempre me esquivei.

Ele apertou os lábios para não sorrir ao imaginar a situação.

— E fez bem. É preciso resistir para vencer. Seu pai está errado ao se preocupar com você. É um rapaz inteligente, e tenho certeza que não cederá às tentações que causariam mal-estar à sua família.

Não ceder as tentações, é? Então eles queriam mesmo que eu fosse um celibatário? Que nunca tivesse um relacionamento? Que coisa cruel para se exigir de alguém. Outra vez senti aquela voz revoltada crescer dentro de mim. Uma vontade de gritar e berrar com todos.

Eu era bonzinho, centrado, moderado, sequer tive coragem de falar a palavra “bunda” na frente dele, mas ninguém apreciava esse meu jeito. Então, ao menos uma vez, longe do meu pai, que me causava tanto medo, eu poderia concluir agindo da forma que todos esperavam:

— Na verdade, pastor, eles não representam tentação alguma para mim. Não gosto de garotos, prefiro homens de verdade. Homens crescidos, homens de família.

Como era de se imaginar, ele ficou pasmo ao ouvir aquilo. Notei em seus olhos arregalados que realmente se chocou com a minha revelação. Eu mesmo emudeci depois de me ouvir confessar algo tão profano. Devia ter me controlado melhor. Se ele dissesse ao meu pai que falei uma coisa dessas eu estaria ferrado como nunca antes.

— Gustavo, o que você quer dizer com homens de verdade?

Não respondi. Já tinha feito besteira antes, não faria de novo. Ele insistiu:

— Não precisa se envergonhar dessa conversa. Somos adultos, não somos? Pode falar francamente. Me encare como um psicólogo. Eu não contarei esses detalhes ao seu pai.

Acho que eu poderia acreditar nele. O pastor Saulo sempre foi um homem sério, nunca o vi ser mesquinho ou enganador, mesmo naquela conversa, onde pela primeira vez senti raiva dele, ainda era a pessoa mais bondosa com quem falei sobre esse tema. Impulsionado a me revelar por completo, olhei em seus olhos e respondi intimidado:

— Homens como o senhor, pastor. São homens como o senhor que me atraem.

Apesar de não parecer, minha resposta não teve segundas intenções imediatas. Foi apenas uma forma sincera de confessar meus sentimentos. Ainda que eu o achasse um homem atraente, ele era inatingível de tantas formas que eu sequer pensei que minha confissão poderia soar como um flerte. Só me dei conta depois de ter falado.

Como o efeito previsível daquela revelação, ele ficou visivelmente perturbado ao tomar conhecimento dos meus desejos. Se remexeu na cadeira enquanto eu observava seu pomo-de-Adão subir e descer.

— Você sente atração por mim, Gustavo?! – Indagou sinceramente espantado.

Dessa vez fiquei calado, não queria me complicar ainda mais. Olhava para minhas mãos e beliscava meus dedos sem saber como fugir daquela situação, como retirar o que havia dito.

O pastor tornou a insistir:

— Está tudo bem, você pode falar. Eu não direi a ninguém. Prometo que pode confiar.

Ainda pensei em negar, em pedir perdão, dizer que foi uma piada de mal gosto e fugir dali. Tinha medo do resultado devastador se meu pai soubesse, mas o pastor continuou a me encorajar e eu acreditei que seria melhor atender o seu pedido. Ao menos haveria plena sinceridade entre nós. Eu poderia contar quem eu era de verdade para alguém que realmente queria saber.

— E então? Somos só nós dois aqui. Responda a minha pergunta.

— Sim, pastor, eu acho o senhor um homem bonito desde que se mudou para cá. Com o passar dos anos, essa admiração virou um tipo de atração. E hoje o senhor é o homem mais lindo dessa cidade, ao menos para mim.

De fato, Saulo não tinha aquela beleza inebriante, afetada, chamativa, que tornaria alguém famoso em uma cidade pequena. Era uma beleza comum, uma simples beleza de um homem normal. Uma virilidade exuberante que me fascinava.

— Gustavo... meio que estou sem palavras. É surpreendente ouvir isso de você.

Eu não tinha mais coragem para olhá-lo, estava constrangido demais, mas como já tinha começado, seguiria em frente até o fim.

— Me perdoe por lhe dizer essas coisas. Só estou respondendo sua pergunta. Acho que sempre senti isso pelo senhor. Fico embaraçado na sua presença porque estar perto do senhor me deixa nervoso. Não é nada demais. Eu admiro o senhor, é só isso. Vamos esquecer essa história de atração, são só meus hormônios falando.

Sorri para amenizar a situação, mas Saulo não acreditou na minha desculpa. Ele estava cheirando a sabonete, devia ter tomado banho há pouco tempo. O clima estava tão quente que o cheiro se espalhou pelo ar.

— Alguém mais sabe disso? Desses seus pensamentos sobre mim.

— Não, pastor, eu não conto a minha vida e nem os meus sentimentos para ninguém. Só estou falando aqui porque é o senhor, e porque acredito que não dirá nada ao meu pai. Ele me mataria. Por favor, não conte a ele.

— Eu compreendo. Não se preocupe com isso. Me dê um minuto. Preciso verificar algo na igreja e já volto.

Ele foi se levantando e no mesmo instante eu peguei um livro sobre a mesa para não o encarar.

Saulo abriu a porta do escritório e pôs metade do corpo para fora, como se observasse se tinha alguém por perto, depois trancou a porta e voltou para junto de mim. A situação começou a ficar estranhamente atrativa.

— Então, Gustavo, você estava dizendo que sente desejos por mim. – Pigarreou ao sentar na cadeira. – O que são exatamente esses desejos? Consegue descrevê-los honestamente?

Eu poderia ser inexperiente quanto a certas coisas, mas a tensão explícita em sua curiosidade me indicava que aquela tarde poderia ser mais proveitosa do que o esperado. Se eu pudesse impulsioná-lo um pouquinho, quem sabe ao menos sairia satisfeito dali.

— Eu acho que não, pastor. As coisas que eu penso, que eu sonho... não são apropriadas para serem ditas a um homem tão digno quanto o senhor.

— Gustavo, eu sou uma pessoa normal. Só quero te ajudar a entender o que você sente. Não tenha medo de me falar, eu não irei julgá-lo. – Seu jeito bondoso de conversar me acalmava as borboletas no estômago. Era muito bom ouvir o som da sua grave voz.

Eu não pensei que poderíamos estar numa situação assim algum dia. Talvez eu estivesse vendo algo mais em sua curiosidade, talvez eu estivesse fantasiando tudo, mas de uma coisa eu tinha certeza: antes de ser um homem de honra, ele era, definindo de uma forma bem direta e popular, um macho reconhecível a quilômetros. Seus gestos, sua voz, seu jeito de andar transbordavam masculinidade. Homens assim, ou boa parte deles, só precisam encontrar um rastro de pólvora para liberarem desejos escondidos ou fantasias moralmente duvidosas.

O pastor Saulo não era diferente, sendo o porta voz de uma religião tão restritiva, ele devia ter uma gama enorme de tensão sexual acumulada. Não especialmente por mulheres, mas apenas tensão sexual que precisava ser aliviada de alguma forma. Era esse o rastro de pólvora que eu lhe apontaria. De repente, meus medos já não importavam, eu tentaria atiçá-lo para ver o resultado. Aquele exorcismo passou a ser extremamente reconfortante.

— Pastor, desde muito tempo eu observo o senhor nos cultos. Olho para o seu corpo e o desejo para mim. Seu queixo quadriculado, sua barba negra que às vezes o senhor esquece de fazer e começa aparecer. – Sorri de nervoso. – Acho que tudo no senhor me atrai.

— Eu nunca notei você me observando antes.

— É que tento ser discreto. Felizmente o senhor é pastor, e eu posso olhar fixamente para você quando estamos na igreja. Mas não se preocupe, é apenas a paixonite de um garoto tímido.

Abaixei a cabeça e lambi os lábios sem saber como continuar. Se ele não seguisse com a conversa, eu sairia muito envergonhado dali.

— Gustavo?

— Sim...

— Olhe para mim. – Fiz o que pediu. – Continue sua história. Me diga quais outros pensamentos você tem.

— Não é nada demais, pastor. São só bobagens de um jovem que nunca namorou. Tipo: eu já sonhei que estava fazendo amor com o senhor.

Sorri desengonçado depois de falar aquela asneira, mas ele continuou sério. Eu já não sabia se devia ir mais longe ou se aquele assunto devia morrer naquela hora. Todavia, minha curiosidade me impulsionou a insistir, mesmo temendo soar vulgar demais, coisa que eu já tinha jurado que não era.

— Nos cultos, enquanto o senhor está discursando, eu fico olhando diretamente para...

Relutei em dizer a princípio, mas logo tomei coragem para flertar abertamente:

— Eu fico olhando para o meio das suas calças, esperando que o senhor faça algum movimento brusco. Algo que me mostre alguns contornos, nem que seja por um mero segundo, se é que o senhor me entende.

Ele deu um longo suspiro e permaneceu a me encarar com uma feição indecifrável. Seus lábios estavam entreabertos e sua respiração parecia pesar. Abaixo da mesa, notei que seu braço direito fazia um movimento quase imperceptível. Algo que poderia não ser nada demais, claro, se estivéssemos em outra situação. No entanto, Saulo era de carne e osso, e talvez tivesse desejos escondidos à flor da pele esperando que alguém os chamasse para a libertação.

— Você olha para mais alguém desse jeito?

— Na rua, às vezes eu encontro um homem bonito e me sinto atraído, do mesmo jeito que o senhor deve se sentir atraído por uma mulher bonita. Como eu disse, não é grande coisa.

— Não, não foi isso o que perguntei. Eu quero saber se você observa outro homem da forma que olha para mim. Da forma como falou antes.

Ele queria perguntar se eu encarava a “mala" de outros caras, só não teve coragem para dizer com todas as letras.

— Algumas vezes sim. Mas com o senhor é mais explícito, porque o senhor é mais avantajado que todos os outros que observei.

Sorri outra vez e ele desviou seu olhar. Passou a mão na testa e procurou um pequeno controle sobre a mesa para fugir dos pensamentos que o afligiam. Apontou para o ar condicionado, mas o aparelho não ligou.

— Droga! Esqueci de mandar consertar isso.

Estava desnorteado a ponto de usar uma expressão que não lhe era comum. Guardou o controle e voltou sua atenção para mim. O tremor e o gaguejar em sua voz indicavam que queria parar aquela conversa, no entanto, minhas palavras tinham ativado uma curiosidade luxuriosa que o fez cair em minha armadilha improvisada.

— Eu sei do que você está falando. – Comentou envergonhado sem conseguir me encarar. – É que calças sociais geralmente marcam mais do que o necessário. Vou me vigiar de agora em diante. Obrigado por avisar.

— De nada, pastor. – Eu estava me segurando para não rir do seu jeito desconsertado.

— É... Você disse que observa outros homens. Pode me falar de uma dessas situações?

— Não sei. O senhor não vai me achar muito vulgar, vai?

— Não. Você é jovem, sua sexualidade está florescendo. É normal se excitar fácil.

— Sim, isso é verdade. O caso que mais me lembro foi de uma vez na barbearia enquanto eu cortava o cabelo. Um dos clientes estava vendo uma revista de mulher pelada. Era um homem bonito. Pelo espelho a minha frente eu conseguia enxergá-lo por completo. Então, fiquei observando sua calça jeans estufar à medida em que ele passava as páginas. Foi um pouco constrangedor, pois o barbeiro notou minha fixação e eu tive que disfarçar. Ainda assim, foi um momento bem excitante para mim. Felizmente o cara não percebeu que eu o encarava.

— O que você acha que ele teria feito se percebesse?

Sua mão outra vez desceu para baixo da mesa.

— Eu não sei. E acho que prefiro não descobrir. Ele tinha um jeito de machão igual o meu pai, talvez me desse uns tapas ali mesmo.

Sorri, e ele sorriu rapidamente apenas para me acompanhar. Em seguida, deu uma longa mirada em seu próprio colo e engoliu em seco logo depois. Parecia constrangido consigo mesmo. Se concentrou em mim e apertou os lábios antes de perguntar:

— E você, Gustavo? O que gostaria de ter feito com esse homem?

— Bem... Na condição em que estou, sem nunca ter namorado ou mesmo tocado outro homem, eu me ajoelharia na frente dele no primeiro pedido. Claro, na minha imaginação, pois na realidade eu não seria tão ousado. – Senti minha boca secar e minhas pernas adormecerem. Já não sabia se ainda aparentava ser um garoto normal ou um pervertido abusado.

— Imaginou isso sobre mim também?

Sua pergunta certeira fez meus cotovelos tremerem sobre os braços da cadeira. Estava na hora de por em prática os meus sonhos inconfessáveis.

— Não tanto quanto queria. O senhor é uma figura respeitável, por isso sinto um pouco de remorso ao ter esses pensamentos. Todavia, eu não consigo fugir deles, porque diferente do homem na barbearia, o senhor não precisa de um estímulo para ser tão visível, basta apenas ficar numa posição favorável e acontece.

— Como assim? Acontece o quê?

— Bem, quando o senhor está sentado lá no púlpito, eu fico pedindo silenciosamente para que abra as pernas e me dê uma visão específica, porque o senhor realmente é bem volumoso, do tipo que nem precisa se excitar para chamar atenção. É por isso que eu sempre sento bem na frente.

Seus movimentos imperceptíveis sob a mesa começaram a se tornar mais explícitos. Mesmo de leve, ele estava apertando algo que eu gostaria muito de ver e tocar.

— Mais uma vez, peço perdão por contar essas barbaridades. Eu só quero que o senhor entenda que não é algo que eu possa controlar. É como quando os garotos... os garotos héteros, espiam as meninas nos vestiários.

Um envolvente silêncio pairou entre nós após minhas íntimas revelações. Seus olhos se ligaram aos meus num instante que me fez quase implorar para que ele me fizesse mais perguntas de natureza obscena. Felizmente eu não cheguei a esse ponto, ele já estava engajado o suficiente para elevar o nível da conversa por conta própria.

— Gustavo, você... – Pigarreou com medo do que diria. – Você já viu o pênis de outro homem?

— Só na internet, também já vi dos meus irmãos quando éramos mais jovens, mas isso não conta.

— Eu estou falando de um homem adulto, frente a frente.

— Pois é... – Sorri na expectativa do que aconteceria. – Assim eu nunca vi.

Ele olhou para a parede branca ao nosso lado, seu braço se aquietou, mas seus olhos continuaram inquietos como se não soubesse o que fazer. Estava pensando se seguiria mesmo adiante com aquela loucura.

— Desculpe lhe dizer isso, pastor. É vulgar, eu sei, mas também é natural. Acho que todo mundo tem esse tipo de curiosidade sobre o corpo da pessoa que lhe atrai.

— Você quer ver?

O olhei de imediato.

— O que o senhor disse?

Com certo receio, ele foi ainda mais claro:

— Eu perguntei se você quer ver o pênis de um homem agora. O meu pênis.

Admito que o choque foi inevitável. Pensei que teria que insistir um pouco mais antes que ele finalmente cedesse. Por outro lado, estar tão perto de realizar um sonho fez minha pele arrepiar. A oportunidade me deixou tremendo de entusiasmo.

— O senhor tem certeza? Eu gostaria muito, muito mesmo. Mas não quero parecer alguém corrupto depois. Admiro muito o senhor e não gostaria que pensasse mal de mim.

— Não tem problema, eu deixo você ver. Faremos como uma espécie de terapia. Assim você sacia a sua curiosidade e para de fazer essas coisas, digo, de ficar me olhando nos cultos.

Fingindo timidez para esconder minha imensa alegria, eu abaixei os olhos e agradeci:

— Obrigado, pastor Saulo. O senhor é um homem incrível.

Sem esboçar qualquer sorriso ou malícia, ele virou sua cadeira giratória e me chamou:

— Vem cá. Vem ver o que você quer.

Acanhado, mas ansioso, eu dei a volta na mesa e fiquei diante dele. Saulo estava com as pernas bem afastadas e uma revista sobre seu colo.

— Quer ver de perto ou de longe?

— Acho que prefiro de perto.

— Então abaixa aqui. É só tirar essa revista e abrir o meu zíper.

Passei minhas mãos suadas atrás da calça sem que ele notasse. Soltei o fôlego que estava guardando e sorri deslumbrado perante o homem dos meus sonhos. Eu seria eternamente grato ao meu pai por marcar aquela conversa tão especial. Realmente me abriria os olhos para um novo mundo.

Eu não me abaixei, fui mais além, me ajoelhei entre suas pernas, apoiando minhas mãos em cada uma de suas coxas. Apreensivo e com a boca salivando, olhei em seu rosto pedindo permissão uma última vez. Sua forte respiração tocou minha face e ele fez um movimento de cabeça autorizando o meu toque em sua masculinidade.

Prendendo o fôlego outra vez, puxei a revista e a deixei cair no chão. A visão que tive foi a mais perfeita consumação dos meus sonhos platônicos. O pau do pastor Saulo estava duro sob a calça social, impondo o desenho da sua grossa silhueta para o lado esquerdo. Boquiaberto, eu me permiti contemplar por um momento todo o esplendor daquele homem. Já não precisava me contentar em buscar volumes ou breves contornos, Saulo estava pulsando o seu pênis para mim, me convidando a realizar meus desejos luxuriosos.

— Prometa que essa história jamais sairá daqui.

— Eu prometo. – Não consegui olhá-lo ao responder. Não queria perder nenhum movimento do seu pau embaixo da calça. – O senhor pode ter plena confiança em mim. Ninguém jamais saberá.

Ele suspirou quase se forçando a acreditar no que eu dizia.

— Quer pegar nele?

Quase sorri da sua inocente pergunta. Era algo que nem precisava questionar. Acho que a vontade em meus olhos já devia estar mais do que evidente.

— É claro que sim, pastor. É o que eu mais quero nesse momento.

— Então faça o que deseja. É todo seu. Mas seja rápido, alguém pode chegar.

Isso era só o que eu precisava ouvir. Até parecia difícil de acreditar. Sabe quando o sonho é bom demais para ser verdade? Era exatamente assim que eu sentia, então resolvi tirar proveito antes que acabasse.

Com calma, peguei no meio daquele grosso cilindro e alisei com a mão esquerda. Além do severo calor do dia, quente também era a respiração do seu membro embaixo da calça. Ele pulsou três vezes e eu o segurei com um pouco mais de força. Tanta perfeição não me escaparia de forma alguma.

Comecei a acarinhá-lo de cima para baixo, e depois fazia o movimento inverso. Meu coração estava disparado, o de Saulo também. Se eu fechasse os olhos, poderia ouvir seu coração bater enquanto seu pênis latejava em minha mão.

Quando fui mais atrevido e tentei tirar o seu cinto, o pastor embarreirou o meu ato como se tencionasse me impedir. Fez um sinal negativo com a cabeça e afastou os meus dedos. Ele queria resistir, sua consciência pesou e resolveu interromper o nosso pecado. Mas eu não deixaria, era tarde demais para mim.

Fui um bom rapaz a vida inteira, merecia algum prêmio por isso, e o meu prêmio estava escondido nas calças do pastor Saulo. Meu semblante entristeceu e eu pedi com sinceridade:

— Por favor, pastor, me deixa fazer isso. O senhor já tinha permitido. Ninguém nunca saberá. Por favor... – Não era uma tentativa de seduzi-lo, era apenas o meu desejo honesto ganhando voz.

— Isso é errado, Gustavo. Não devíamos...

— Mas é só uma vez. Eu prometo que nunca mais apareço aqui. Só dessa vez. Só um pouquinho. Deixa, por favor.

Eu estava suplicando, implorando, me humilhando para senti-lo em minha língua. O prêmio final valia qualquer esforço.

O pastor me olhou pensativo por alguns segundos, depois fez um gesto afirmativo com a cabeça. Parecia contrariado, mas concordou afinal.

Com a nova permissão, tirei o seu cinto bem depressa, antes que ele cogitasse mudar de ideia. Abri sua calça e expus sua cueca, que era da cor cinza. Lhe dei um sorriso de agradecimento e voltei minha atenção para o seu pênis. Enfiei a mão por debaixo da cueca e tive um espasmo ao sentir aquela carne abrasiva entre meus dedos.

Puxei seu pau para fora e me surpreendi por ser exatamente como eu imaginava. Era como se eu tivesse vislumbrado aquele momento anos antes de acontecer.

Não posso ser exato quanto aos centímetros, precisaria de uma régua para isso, mas não era pequeno de forma alguma, muito pelo contrário. Grosso, pesado, com proeminentes veias saltadas em sua extensão. A pele calorosa e macia. O prepúcio cobria totalmente a cabeça, deixando visível apenas a pontinha da glande.

Perguntei se poderia tirar sua cueca, ele não relutou, levantou da cadeira e abaixou sua roupa até o meio das coxas. Finalmente livre, o seu pau balançou no ar e bateu na ponta do meu nariz.

Sua virilha tinha muitos pentelhos negros em pleno crescimento, acho que tinha aparado há pouco tempo. Estavam na metade do tamanho que deveriam ter, naquela fase em que pinicam feito espinho.

Com a mão esquerda, segurei bem perto da base e iniciei meus sonhos molhados pelos seus pentelhos. Enfiei meu nariz e absorvi o cheiro, um forte perfume natural misturado ao aroma do sabonete. Abri a boca e passei a língua sobre eles, sentindo um arrepio nas costas ao ter minha bochecha pinicada.

Quando seu cheiro se fixou em minha respiração, eu saí daquela contemplação e fui em direção ao seu pau. Puxei de leve o prepúcio, expondo um pouquinho mais a cabeça. O pastor apenas observava os meus gestos. Sem me fazer de rogado, dei três selinhos demorados na parte revelada da glande, sentindo um gostinho salgado em minha língua. Quando me atrevi a beijar realmente, fazer a ponta do seu pau sumir entre meus lábios, ele deu um longo suspiro e se contorceu na cadeira. Levou sua mão para afastar minha cabeça, mas sua resistência já não era grande coisa, e além do mais, eu fui mais esperto. No momento em que sua mão direita encostou na minha bochecha, eu virei o rosto e abocanhei seu dedo indicador para sugá-lo como eu faria com o seu pênis.

Saulo ficou espantado com minha atitude. Não esperava que eu fizesse aquilo, nem eu mesmo acreditava no que estava fazendo. Fui chupando o seu dedo e me aproximando do seu membro outra vez, até que cheguei perto o suficiente para soltar sua mão e enfim chupar a cabeça inteira do seu pau. O pastor se segurou na cadeira e deu um grosso gemido.

— Ah, minha nossa! É tão quente... Sua boca é tão quente...

Suas palavras me animaram a dar o meu melhor. Eu era inexperiente na prática, mas como qualquer jovem, já tinha visto muitas vezes na internet, então sabia por onde seguir.

Pouco a pouco fui empurrando o seu prepúcio para baixo, até que a glande ficou totalmente liberta em minha boca. Lisa e saborosa, era como lamber uma maçã.

— Gustavo, pare... Isso não é certo. É melhor nós...

Saulo não conseguia terminar suas frases, pois eu me esforçava um pouco mais para que minha língua o fizesse calar de prazer. Ele se segurava nos braços da cadeira e seu pênis pulsava com mais força.

O tirei da boca para contemplar sua beleza agora que o prepúcio já não o encobria. Sua glande rosada e lustrosa, brilhando sob a luz fluorescente do escritório parecia realmente uma maçã perfeita.

Enquanto eu o masturbava devagar, começou a sair o líquido pré-seminal. Seu pau babava e eu o enxugava com minha língua. Tinha um gosto bem salgado, mas de certo era a fruta mais saborosa que eu poderia encontrar.

— Não faz isso, Gustavo. Você vai acabar comigo.

Na contramão do que me pedia, ele agarrou minha cabeça e enterrou o seu pau quase por inteiro na minha boca. Foi de surpresa e por pouco eu não engasguei. Resisti firmemente para que ele não tivesse receios em continuar nossa reunião.

Quando eu não poderia mais aguentar, Saulo me soltou e eu recuperei o fôlego sempre a encará-lo. Entregue aos meus desejos, falei cheio de devassidão:

— Eu faço qualquer coisa que o senhor me pedir, pastor. Tudo o que o senhor quiser. Posso ir um pouco mais além?

— Do que está falando?

— Me deixa chupar os seus ovos. Eu sempre os vi marcando na calça. De longe já pareciam grandes, e agora, aqui, na minha frente, são ainda maiores do que eu pensava.

Verdade, seus testículos eram dignos de um grande reprodutor. Agora que conhecia a sua intimidade, fisicamente eu não poderia encontrar um defeito sequer. Ele era um grande homem em todos os aspectos.

Não precisava fazer aquela proposta, mas queria mostrar o quanto realmente o desejava. O quanto pensei em todos esses anos na forma, tamanho e na aparência do seu corpo sob a roupa social.

¬Era um momento muito tenso para ele, sua feição preocupada demonstrava isso. Sério diante de mim, que era um grande pecador, ele acenou com a cabeça me mandando prosseguir:

— Sim, meu filho, faça como tiver vontade. Pode chupar, lamber, fazer o que você quiser. Já começamos isso, então vamos terminar.

Seu jeito de falar, de se render a luxúria, foi muito excitante. Feliz como se ganhasse o melhor dos doces, eu deixei seu saco a minha disposição e coloquei uma das bolas na boca para sugá-la carinhosamente. Já havia fantasiado com essa cena milhares de vezes. Minha mente louca fazia um paralelo entre ele discursando nas reuniões, todo sério e correto, e o momento carregado de pecado em que nos encontrávamos. Era delicioso visualizar essas duas imagens.

— Onde você aprendeu essas coisas? Minha mulher passa longe daí.

— Ela não sabe o que está perdendo.

Entregue ao prazer, ele me pegou pelos cabelos e comandou meus movimentos, decidindo quanto tempo eu acarinhava cada uma de suas bolas. Depois, foi me direcionando até o seu pau que batia involuntariamente contra meu rosto.

Esquecendo do tempo, eu tornei a chupá-lo, saboreando cada pedacinho da sua carne. A melhor parte era a glande, sua maciez era inebriante, e quando babava, eu a passava suavemente pelo rosto, deixando o líquido escorrer por minha face. Saulo ficava um tanto admirado com a paixão que eu demostrava por seu pau.

— Eita! Você realmente gosta disso, hein?

— Quando se trata do senhor, eu não tenho vergonha de admitir. É o primeiro que provo, mas tenho certeza que nem todos são deliciosos assim.

— Então chupa o seu pastor, Gustavo. Chupa que eu vou te dar leite para beber.

Determinado, Saulo levantou da cadeira só um pouquinho e começou a foder minha boca com muita vontade. Às vezes seu membro escapava e ele mesmo recolocava entre meus lábios, dizendo:

— Anda, engole tudo! Não era isso o que você queria, seu moleque pervertido? Agora você vai tomar cada gota que eu te der!

A revolta em sua voz tornou o ato ainda mais especial. Ajoelhado para aquele homem, com seu pau fazendo movimentos de cópula em minha boca, era assim que eu queria viver.

— Que boca gostosa! Caralho! Você nasceu para ser um putinho mesmo!

As palavras, até então grotescas, vindas de alguém como ele, quase soavam engraçadas para mim. Era algo que jamais concebi ouvi-lo dizer. Não sabia que poderia usar um vocabulário tão chulo. O tesão realmente transforma as pessoas, mesmo que por um momento.

Aquele instante em especial foi definitivo para a sua libertação sexual. Seu corpo estremeceu, ele segurou ainda mais forte os meus cabelos, parou repentinamente seus movimentos e apertou minha cabeça contra o seu pau, afundando meu nariz em seus pentelhos.

— Toma isso! Toma a porra que você tanto quer!

Saulo rosnou como um animal e eu me concentrei para receber o seu sêmen em minha língua. Ele despejou potentes jatos de quente e grosso esperma, inundando minha boca a cada nova pulsada do seu pau. O gosto forte era estranho para mim, de certo me deixaria enjoado em outra ocasião, mas não naquela hora, pois ali eu não queria outro sabor que não o seu.

Depois vieram jatos menores e seu pênis foi se acalmando enquanto o sêmen jorrava. Acho que Saulo estava há muito tempo sem gozar. Seu líquido não me fez engasgar ou escorreu pelos lados, mas foi uma quantidade mais do que razoável. Eu guardei nas bochechas e tirei o seu pênis dos meus lábios.

Ofegante, o pastor caiu sem forças na cadeira. De olhos fechados, passou a mão em sua testa suada e alertou:

— Não deixa escorrer, vai sujar minha calça no chão.

Como se eu tivesse alguma intenção de desperdiçar o presente que ele me deu. Confiava nele o suficiente para aproveitar aquela ocasião até o limite. Movimentei o líquido de um lado para o outro e memorizei seu sabor antes de engoli-lo. Poderia não passar daquela vez, mas queria ter a lembrança vívida muito depois.

Saulo pegou uma garrafinha de água mineral numa geladeira bem pequena que tinha no escritório e me deu para limpar a boca. Vestiu suas calças, ajeitou a camisa e se sentou mais uma vez olhando para mim. Estava envergonhado, arrependido, não dizia nada.

Sem esperar que me pedisse desculpas ou algo do tipo, eu me sentei em suas pernas e coloquei meus braços em volta do seu pescoço.

— O que está fazendo?! – Indagou confuso.

— Realizando um último desejo antes do senhor me mandar embora.

Atrevido como jamais estive, eu o beijei sem lhe dar tempo para qualquer reação adversa. Colei nossos lábios e permaneci assim, esperando que se rendesse ao meu novo carinho. Ele não fez nada de imediato, mas passado algum tempo, senti sua mão atrás da minha cabeça a me segurar. Seus lábios se movimentaram junto aos meus, e então sua língua tocou a minha. Foi um momento muito especial, o meu primeiro beijo, e vindo do homem que eu tanto desejei.

Não me importava se ele sentiria nojo de mim depois, não me importava se eu mesmo me desprezaria por agir feito um depravado. Eu só queria beijá-lo o máximo possível antes que aquele instante desaparecesse para sempre.

Todavia, o momento era breve e fugaz como água entre os dedos. Não custou até ouvirmos o portão da igreja ranger com a chegada de alguém. Eu saí do seu colo e corri para destrancar a porta. Voltei bem rápido para a minha cadeira, peguei uma revista sobre a mesa e abri. O pastor também tentava se recompor sem saber direito o que fazer. Bateram na porta e em seguida entraram, era a esposa dele.

— Saulo, desculpa interromper, mas eu preciso de dinheiro para o supermercado. Oi, Gustavo, como você está?

— Bem, dona Lúcia, vim conversar com o pastor a pedido do meu pai.

— Sim, ele me contou. Espero que você melhore depois de hoje.

— Claro... obrigado.

Eu já estava bem melhor sim. Olhei para o pastor que, nervoso, tirava dinheiro da carteira para entregar à esposa. Felizmente ela não me deu muita importância e foi embora sem desconfiar de nada, nem tinha motivos para isso.

Saulo foi até a porta se certificar de que a mulher tinha realmente nos deixado, e depois virou-se para mim, pedindo:

— Gustavo, por favor, vá embora agora. Nós ultrapassamos todos os limites hoje aqui. Por favor, vá para casa.

Eu conhecia seu belo caráter o suficiente para entender o quão culpado ele se sentia. Sabia que não adiantaria relutar.

— Tudo bem, pastor, e não se preocupe, por mim ninguém jamais saberá o que aconteceu entre nós. Mas o que eu devo dizer ao meu pai?

— Diga que nós conversamos e que você aceitou tudo o que eu disse. Depois eu me entendo com ele. Vou pensar nisso. Agora saia, por favor. Eu preciso ficar sozinho.

Apesar da extrema educação com a qual me mandou embora, eu me entristeci ao ver que o que fizemos com certeza lhe tiraria o sono e lhe traria episódios de remorso intenso. Ele não merecia essa culpa.

Apesar disso, eu não me arrependi. O fiz trair sua fé e sua esposa, mas fiquei muito feliz com o resultado final. Era menos um sonho a ser realizado na minha lista. Culpa e remorso não me tirariam essa satisfação.

Chegando em casa, eu tive uma breve e suave conversa com o meu pai. Disse absolutamente tudo o que ele queria ouvir. Não teci grandes elogios ao pastor Saulo, inclusive pareci contrariado algumas vezes ao mencioná-lo, assim meu pai acreditaria com mais segurança na minha história. Seria estranho parecer feliz demais depois de uma conversa que tinha a intenção de me acusar, julgar e transformar.

Trancado em meu quarto, pelo resto do dia eu remoí os momentos de intimidade ao lado daquele homem, e durante a noite, em meus sonhos, pertenci a ele num mundo onde não seríamos apedrejados.

Sabia que Saulo jamais seria meu, sabia que apesar do nosso pecado em conjunto, eu ainda era a abominação da história. Ainda assim, sonhar não me custava, e me trazia a tranquilidade que eu não tinha dentro de casa. Isso valia a pena.

Dias depois, no primeiro culto após o intenso evento que vivemos, eu me sentei no primeiro banco como de costume. Estava envergonhado, mas era melhor agir naturalmente.

Saulo me dava uns olhares demorados vez ou outra. Me encarava como se me desse uma bronca pelo que aconteceu. Eu lhe correspondia com um tímido sorriso e desviava o olhar. Apesar disso, tudo transcorreu normalmente, exceto por uma coisa: enquanto estava sentado, ele manteve as pernas afastadas por mais tempo, basicamente me convidando para o nosso pecado.

Embora seu olhar indiferente não demonstrasse qualquer interesse, algo me dizia que ele estava se exibindo, vendendo os seus atributos para mim. Ainda que não fosse plenamente intencional, estava me tentando com o seu sexo para depois me demonizar como o vilão. Isso me fez lamber os lábios ao lembrar do seu gosto salgado.

Ao término do culto, minha família se deteve um bom tempo na frente da igreja conversando com amigos e conhecidos. Longe dos outros, eu fiquei falando com um rapaz do meu curso sobre a prova de admissão que fizemos para a faculdade na capital. O resultado se aproximava e ambos esperávamos pela carta informando nossa vitória. O papo estava animado e por isso ríamos muito. Em meio a essa descontração, alguém segurou o meu braço para me chamar a atenção. Era o pastor Saulo.

— Gustavo, venha um instante. Preciso falar com você.

Me despedi do rapaz e fui levado até um canto onde não poderiam nos ouvir.

— Você não disse que não se interessava por garotos?

— E não me interesso mesmo.

— Não foi o que pareceu agora há pouco.

— Conversávamos sobre o curso que fazemos. É um colega de classe.

— Tudo bem. Isso não é da minha conta. Só quero pedir que amanhã venha ao meu escritório, às sete da noite. Precisamos conversar seriamente sobre o que aconteceu.

— Sim, pastor, irei com certeza.

— Você não falou com ninguém sobre aquilo, falou? Nem com um amigo?

— Não, eu jamais faria isso. Jamais prejudicaria o senhor.

— Ótimo. Então vá para casa com a sua família. Eu te aguardo amanhã.

Sem mais delongas, ele me deixou escorado no muro e voltou para junto das outras pessoas. Olhei em volta para me certificar de que nenhum curioso nos vigiava, abaixei a cabeça e fui embora sem esperar minha família.

Sentia algo que se misturava entre culpa e euforia. Queria apenas ficar sozinho, aliás, queria ficar com ele, mas como isso não era possível, eu me tranquei no quarto com as luzes apagadas e tentei dormir. Tinha realizado um sonho, mas ainda me sentia incompleto, ainda faltava o principal. Mesmo que impusesse mais culpa sobre seus ombros, eu queria perder a virgindade com o pastor Saulo. Ele era o mais digno dos homens, melhor inclusive do que o meu pai. Julguei que já tinha abdicado de muitas coisas na vida para me privar de mais essa vontade. Merecia uma recompensa maior afinal.

No dia seguinte, a ideia de estar com ele foi tudo o que ocupou minha mente. Até pesquisei na internet relatos de pessoas sobre como foi perder a virgindade. Algumas diziam ser algo incrível, outras diziam ter sido horrível, e algumas poucas se mostravam indiferentes. Quanto a mim, decidi confiar nas pessoas mais otimistas. Saulo provavelmente não sabia, mas eu faria o possível para que me desse uma noite inesquecível, assim como aquela nossa tarde.

Perto das sete horas, cheiroso e de banho tomado, eu avisei ao meu pai que o pastor me chamou para conversar. Era melhor falar a verdade do que mentir e ele acabar descobrindo depois, ou mesmo me seguir para ter certeza do que eu dizia.

Sem surpresas, ele concordou feliz com essa notícia. Lhe agradava a ideia de que eu estava criando uma vivência com o pastor, e provavelmente deixaria de ser como eu era. Como se isso fosse mesmo possível.

Chegando ao escritório, olhei para o céu e as nuvens de chuva começavam a tapar a lua. A tempestade deveria ser forte. Apenas a luz da frente da igreja estava acesa, todo o resto do quintal habitava na escuridão.

Bati na porta e segundos depois o pastor a abriu. Olhou para os lados buscando algum espião, e então me puxou para dentro.

— Entra logo. O que você disse ao seu pai quando veio para cá?

— Eu disse a verdade, que viria conversar com o senhor. Não vi necessidade para mentir. E o que o senhor falou para a sua mulher?

— Ela foi para a casa da mãe dela com as nossas filhas, vai dormir por lá hoje. Foi até melhor, assim eu posso falar com você sem medo de que ela apareça e nos ouça.

— É mesmo só uma conversa o que teremos aqui? – Rezei para que a resposta fosse um não.

Ele respirou fundo.

— Sim. É só isso. Nada mais acontecerá entre nós.

Seu semblante estava um tanto pálido, com olheiras proeminentes. Incrivelmente eu o achei mais bonito assim. Foi para trás da sua mesa e eu me sentei na frente dela como na primeira vez.

— Não consegui dormir ontem à noite. Aquilo que fizemos foi uma completa loucura. E você sabe o que é pior? Eu fiz amor com a minha esposa pensando em você! Eu nunca havia pensado nem em outra mulher quando fazia amor com ela, por que eu pensaria em você?!

Aquilo me magoou de certa forma, pareceu que fazia pouco caso de mim, quando eu definitivamente tinha minhas qualidades em matéria de beleza também.

— Desculpe, não foi isso o que eu quis dizer. Você é um jovem atraente de fato. É só que eu nunca tive nada com outro homem. Nunca senti esse tipo de desejo, até você aparecer naquela tarde.

— Tudo bem, pastor. É normal, eu acabei incitando o senhor. A culpa é minha.

— Não assuma a responsabilidade sozinho, Gustavo. Eu era o adulto de verdade na ocasião, e sou ainda mais culpado pois fui eu quem deu margem para tudo acontecer quando fiz aquelas perguntas a você.

— Pastor Saulo, aquele foi o melhor dia da minha vida. Eu não me arrependo do que fiz. Se eu tivesse a chance, faria tudo de novo.

Suspirando, ele fez um sinal negativo com a cabeça.

— Nunca mais tocarei em você daquela forma, Gustavo. Foi profano e errado. Você não sabe quanto remorso eu senti depois. Mal consegui responder as perguntas do seu pai, mal consegui olhar em seu rosto. O mesmo aconteceu com a minha esposa.

Tive pena dele nessa hora. Era uma situação realmente difícil a que estava. Saulo nunca foi um homem promíscuo ou hipócrita, o que aconteceu entre nós foi inesperado e único para ambos. Entretanto, minha sede por seu corpo era maior do que minha consideração por seu caráter, então não perderia mais uma chance de tê-lo para mim, já que estávamos sozinhos de novo. Nada me roubaria a tentativa de consumar esse desejo. Foi o meu momento de maior determinação na vida.

— Pastor, eu compreendo a sua luta interna. Eu respeitarei sua decisão, porém, tudo o que eu peço ao senhor é só mais uma vez. Uma única vez. Seja o meu homem só por essa noite, aqui e agora, e eu prometo que jamais o incomodarei de novo.

— Gustavo, não insista, eu já disse que nunca mais acontecerá nada entre nós. Eu sou um homem honesto, sou um homem de família, você não vai tirar isso de mim.

Sua voz firme soava realmente decidida. Mas decidido eu também estava, e não me intimidaria tão perto da vitória. No momento em que um forte trovão ecoou acima de nós, eu levantei da cadeira e fui até ele. Sem me deixar vencer pela timidez, peguei suas mãos e as coloquei na minha cintura. Ele não reagiu, estava curioso quanto a minha atitude.

— Não quero tirar nada do senhor, pelo contrário, eu quero dar algo ao senhor.

Me virei suavemente entre suas mãos e me ofereci a ele como um banquete sobre uma mesa.

— Vá embora, Gustavo. Pare com isso.

— Me diga, pastor, alguém já tratou o senhor com tanta devoção igual eu fiz no outro dia?

— Não é essa a questão. Naquele dia eu estava mais fraco. Minha esposa e eu estávamos há bastante tempo sem transar. Por isso fiquei excitado fácil com os seus relatos e fiz aquela besteira. Mas você sabe que estamos passando dos limites.

— Então por que não tirou suas mãos da minha cintura ainda? – Olhei em seu rosto e sorri. – É só mais uma vez. Em breve irei embora e nunca mais nos veremos. O senhor pode voltar a ser o homem de antes. Eu só peço que não me deixe escapar por hoje. Por favor...

Com um longo fôlego, ele me deu um olhar repreensivo e suas mãos desceram lentamente por minha bunda. Apertando os olhos, disse em um tom mais baixo:

— É tão injusto o que está fazendo comigo. Eu sou um bom homem.

— E é justamente por isso que eu te quero tanto. Pegue o que é seu e deixe a culpa para depois.

Desabotoei minha calça e ele tirou suas mãos para deixá-la cair. Com minha bunda quase exposta na cueca branca e fina, falei a olhá-lo de cima:

— Libere as suas tensões em mim, pastor Saulo. Faça comigo tudo o que gostaria de fazer com a sua esposa, com o adendo de que não resistirei a nada do que me proponha.

Seus lábios pressionaram um ao outro, seu nariz se enrugou e sua testa tremeu. Ele estava com raiva de mim. Com raiva e tentado com a minha proposta.

Vagarosamente abaixou minha cueca e deixou minha nudez disponível a si. Acarinhou minha nádega esquerda enquanto sua cabeça se movimentava de um lado para o outro tentando se convencer a não fazer aquilo. Todavia, sua guerra estava perdida, eu havia vencido finalmente.

— Você tem um belo corpo. Sua bunda é macia... grande. Os homens vão gostar.

“Os homens vão gostar" foi sua forma indireta de me tratar como alguém que se entregaria a qualquer um. Mas eu não me importei, até gostei, e faria ele gostar também.

— É toda sua, pastor. Sempre foi e sempre será sua. Eu nem sabia, mas a guardei para você todo esse tempo.

Ele ergueu a cabeça para me olhar. Quase pude ver duas faíscas em seus olhos. Levantou bruscamente e me imprensou contra a mesa.

— Garoto teimoso! Você é um demônio tentando me arrastar para o inferno!

— Eu só quero te fazer feliz! E você sabe que eu posso. Me chame do que quiser, mas faça amor comigo também.

Suas mãos desciam por minhas costas até chegar bem perto da minha bunda. Ele pressionava seu corpo contra o meu e sua respiração ficava mais forte a cada instante.

— Está brincando com fogo, criança, e pode não gostar do resultado.

— Eu correria qualquer risco pelo senhor.

— Ah, é? Então espera um pouco que eu vou te dar o que você tanto quer.

Ele foi trancar a porta. O barulho da chuva aumentava como se fosse um cúmplice do nosso pecado. Ainda de longe, Saulo começou a desabotoar sua camisa preta com uma expressão gélida no rosto. Quando se livrou da roupa, eu pude enfim vislumbrar o seu peito forte, cheio de pelos negros que se espalhavam em menor quantidade até o abdômen. Tirou seu cinto, o jogou no chão, mas permaneceu com a calça. Eu também tirei minha blusa e fiquei desnudo.

— Senta na mesa!

Afastei os livros e fiz como ordenado. Ele veio e me segurou pelos cabelos com certa violência.

— Tem certeza de que nunca esteve com ninguém antes?

— Nunca. O senhor pode confiar em mim como eu confio no senhor.

— Ótimo!

Pensei que fosse me beijar, mas quando nossas bocas estavam quase se tocando, ele direcionou minha cabeça até o seu peito esquerdo, comandando com uma voz enérgica que nem parecia a dele:

— Chupa! Pode deixar marcas se quiser, mas é melhor fazer direito!

Não relutei em nada, apenas obedeci. A pressão da sua mão era incômoda, mas não importava, apenas queria agradá-lo. Seus pelos arranhavam minha língua quando meus lábios sugavam seus mamilos. Eu não fazia com força ou desespero, não precisava disso. Só tinha que aproveitar cada um dos sabores que sua pele me ofertava. Poderia ficar assim até a minha boca estar dormente.

— Eu sempre te achei diferente, Gustavo. Mas nunca pensei que fosse tão bom em servir a um homem.

Puxou minha cabeça para trás e aproximou seu rosto do meu. Sua feição tinha uma aura perversa, violenta, extremamente atraente.

— Você tinha razão antes. Ninguém nunca me tratou da forma que você fez. Minha mulher nem gosta de sexo oral. Sua devoção pelo meu pau é assustadora... e irresistível. Realmente tem um dom.

— Eu seria o seu fiel servo sem pedir nada, pastor, apenas que o senhor me tratasse como está tratando agora.

— Você não é tão bonzinho quanto tenta aparentar. – Outra vez senti raiva em sua voz. – Os outros estavam certos: você não passa de uma vadia!

Se ele pretendia me ofender, falhou miseravelmente na tentativa. Tudo o que conseguiu foi me deixar mais excitado, a ponto de fazer um sinal negativo com o dedo indicador e responder:

— Não, não, pastor Saulo. Eu sou a SUA vadia.

— Minha vadia...? – Encostou seus lábios nos meus.

— Exatamente. Aqui, entre essas paredes, eu sou o que o senhor quiser que eu seja.

Ele me apertou os quadris e aconchegou meu corpo ao seu.

— Então vem ser minha vadia, vem.

O impetuoso beijo que me deu foi como se quisesse me engolir por inteiro. Sugava e mordia como se eu tivesse um gosto especial que ele tinha acabado de descobrir e não queria perder.

Eu coloquei a mão dentro de sua calça e fiquei bolinando o seu membro teso. Agarrava suas bolas com muito carinho e depois coçava a sua virilha, com os seus pelos suados espetando os meus dedos.

Saulo me levantou pela cintura e eu o abracei com minhas pernas. Me levou até o sofá encostado na parede e sentou-se nele com as pernas abertas, meu jeito preferido de vê-lo.

— Chupa o meu pau agora! – Mandou com seriedade. – Cumpra a sua obrigação!

Ouvir aquele homem, que era sempre sereno e comedido, dizer aquilo com aquela entonação, me deixou extremamente eufórico. Não poderia decepcioná-lo. Me abaixei entre suas pernas e abri sua calça. Ele usava uma boxer preta, e sob ela estava o meu amuleto de prazer. O design das suas bolas, como sempre, se mostrava atrevido sob o tecido. Dava para ver a forma perfeita de cada uma.

Abaixei sua cueca e comecei meu delírio através dos seus ovos. Lambi e suguei levemente para não lhe causar desconforto. Saulo estendeu seus braços sobre o encosto do sofá e me deixou completamente livre para fazer o meu trabalho.

— Isso, mama o teu pastor do jeito que você sabe. Me mostra o quanto você gosta disso.

A cada palavra, a cada gemido eu ganhava mais ânimo. Poderia chupá-lo a noite inteira sem me importar com mais nada.

— Deita aqui nas minhas pernas. Vou fazer algo por você também.

Ele botou uma almofada em cima das coxas e eu deitei de bruços sobre ela. Sua mão passou suavemente pela abertura entre minhas nádegas.

— Você não se comportou direito, Gustavo, vindo aqui e seduzindo um homem casado. Está sendo muito atrevido ao me oferecer sua boca do jeito que tem feito. Isso merece um corretivo.

A palmada que recebi me fez gritar imediatamente, mais pela surpresa do que pela dor. Sorte que ninguém poderia ouvir. Seus tapas vieram seguidos em pequenos espaços de tempo. Às vezes eu dava pequenos gemidos, contudo, não era nada insuportável.

— Fique quieto! Estou dando o que você merece! Dessa forma talvez aprenda a respeitar os homens que encontrar no seu caminho.

Ele me deu mais três palmadas antes de encerrar o seu castigo. Eu já estava lacrimejando quando parou. Foi então que retornou a tocar minha bunda de forma carinhosa, e não mais violenta.

— Pronto... Já acabou. Não precisa chorar. Eu só queria mostrar que suas escolhas trarão consequências. Agora me deixa mostrar também como aprecio o que você está me oferecendo.

Saulo se inclinou sobre mim e passou sua língua sobre a vermelhidão da minha bunda, deixando minha pele molhada e aquecida por sua saliva. Depois, sem cerimônias, afastou minhas nádegas e enfiou a cara no meio delas. Modéstia parte, eu não tinha o que temer. Estava limpo e perfumado, além de ter me preparado na expectativa de que algo mais intenso fosse acontecer entre nós naquela visita noturna.

A ponta de sua língua tocou a virgindade que eu lhe entregaria e foi uma coisa de louco desde então. Abri a boca e pensei que fosse desmaiar tamanho o prazer que me percorreu da cabeça aos pés. Saulo tentou me penetrar com sua língua, mas eu me fechava involuntariamente gemendo baixinho. Sem conseguir vencer os meus espasmos que o impediam de ir mais fundo, ele mordia minhas nádegas dando vazão ao seu desejo incontrolável.

— É, acho que vou tentar algo mais substancial para entrar nesse seu anelzinho rosado. Levanta, fica de quatro no sofá que eu vou te comer do jeito que você queria.

Sorrindo, apoiei minhas mãos sobre o braço do sofá e me inclinei para ficar totalmente entregue às vontades do pastor. Atrás de mim, ele passou seu pau bem devagar no meio das minhas nádegas.

— Vamos descobrir como é essa sua bundinha por dentro. É melhor gemer baixinho, eu não terei pena depois de começar.

Dito isso, ele começou a me penetrar devagar. Queria ir mais rápido, mas não o fez por ser minha primeira vez. A dor imediata foi terrível. Eu fiz uma careta e quase chorei, só que não o deixei perceber. Saulo foi enfiando pouco a pouco, até que senti seus pentelhos tocarem minha pele ardida. Compreensivo com a minha situação, ele nos paralisou por um tempo para que eu me acostumasse com o seu membro dentro de mim.

— Se tivesse me dito que era tão quente e apertado antes, teria me convencido bem mais rápido.

Sorri lagrimando e respondi espirituoso:

— Quis fazer surpresa para o senhor. Espero que goste.

— Ah, não tenha dúvidas disso. Esse seu buraquinho consegue ganhar até mesmo da sua boca. Se prepare.

Ele iniciou seus movimentos e eu me segurei com mais força para aguentar. A princípio senti algumas pontadas que me fizeram ranger os dentes, mas depois, à medida que ele ia e voltava, meu corpo se adequou à nova forma que o preenchia e a dor foi diminuindo. Não chegou a cessar inteiramente, mas permaneceu enfraquecida a ponto de não ameaçar o prazer. Este, por sinal, ganhou maior intensidade quando Saulo deu maior vigor às suas investidas.

Felizmente, o desconforto inicial não me impediu de aproveitar o êxtase que aquele homem me trouxe. Eram sensações de outro mundo que surgiam em meu interior. Ter o seu pênis, com sua pele quente e suas grossas veias deslizando através de mim, foi o ápice de um sonho até então.

— Nunca devia ter me tentado, Gustavo, porque agora você vai ter o que merece.

Ele retornou com as palmadas e eu gargalhei aproveitando aquele castigo. Suas mãos agarraram forte os meus quadris e suas estocadas ficaram mais violentas. Puxou o meu cabelo para trás e disse em meu ouvido sem parar o seu ataque:

— É isso o que você merece por ser um putinho tão atrevido. É isso o que você vai ganhar sempre que insistir em atormentar um macho com seus desejos indecentes.

Realmente parecia outro homem. Alguém animalesco que nada tinha a ver com o Saulo que todos conheciam.

— Pastor, o senhor está me machucando. Diminui a pressão, por favor.

— Ah, não está gostando de como eu te trato? Só assim para você aprender, não é? Você mesmo disse que é a minha vadia, então aja como tal e aguenta o pau do homem que você serve. Quem mandou me atiçar? É assim que eu vou te exorcizar. Entendeu?

Eu não respondi. Ele puxou meu cabelo com mais força ainda.

— Você entendeu, Gustavo?

— Sim! Sim, pastor. O senhor é quem manda.

— Muito bem! Agora seja uma boa vadia e rebola para mim.

Capturado sob sua influência, eu não pude resistir a nada do que me pedia, inclusive me remexer com o seu pau dentro de mim. Nós dois havíamos perdido o controle, a dignidade que tanto buscávamos demonstrar.

— Droga! Agora toda vez que transar com a minha esposa vou acabar pensando em você. Que inferno! Como vou resistir a te comer com você perto de mim todos os dias?

— Não precisa resistir, pastor. É só me pedir e eu serei seu. Na hora que o senhor quiser.

Inclinado sobre mim, ele mordeu meu ombro, deu uma estocada mais poderosa e então retirou o seu pênis. Foi uma sensação de vazio instantâneo a que senti. Suado e ofegante, pediu ao se sentar no sofá e passar a mão para limpar a água que escorria em seu peito:

— Vem aqui. Senta na rola do teu macho. – Sua voz estava mais carinhosa, apesar do palavreado nada convencional, era o meu pastor outra vez.

Eu sentei devagarzinho sobre seu pau, que já não causou tanta dor ao me penetrar pela segunda vez. Ele me segurou pela cintura e eu beijei sua boca durante o ato.

— Agora cavalga em mim. Mostra o quanto você me deseja.

Entre sorrisos e beijos, ele me conduziu com as mãos e eu fui levado naquela montaria sexual que me fazia ter espasmos e apertar o membro que me empalava.

— Você vai ser a minha perdição!

— Não, pastor, só quero te dar alegria. Te dar alegria com o meu corpo inteiro.

Ainda que eu terminasse todo arrebentado no final, eu continuaria a realizar todos os seus desejos. A dar a ele todo o prazer que nos foi negado por tantos anos.

— Gustavo, eu vou gozar! Se não quiser dentro de você, é melhor parar agora.

— Eu nunca vou parar. Quero carregar uma parte sua comigo quando estiver na minha cama. Quero o seu esperma dentro de mim.

— Caralho! – Ele rangeu os dentes. – Você vai me matar desse jeito. Parece que está sugando a minha vida!

Foi sua frase derradeira antes do irrompimento que veio a seguir: uma erupção inundando minhas entranhas. Foram potentes jatos que só um homem do nível dele poderia produzir. Pela memória ativada, eu cheguei a sentir o gosto do seu esperma na minha língua, como foi na primeira vez em que nos entregamos à luxúria. Com a overdose de prazer entre nós dois, eu acabei gozando segundos depois dele lançar seu último jato em meu corpo.

Ao final, quando nos aquietamos num abraço fervoroso, seu pau foi amolecendo aos poucos e eu passei a beijá-lo em agradecimento pela experiência maravilhosa que me proporcionou. Ele encostou sua cabeça no meu pescoço e procurou conforto com o seu rosto escondido em meu ombro.

— Me perdoa, Gustavo. Eu não devia ter feito isso com você. Eu nunca devia ter encostado em você. Foi perverso da minha parte.

Seu remorso previsível inevitavelmente chegou para atormentá-lo. Ele começou a chorar baixinho abraçado comigo e eu acarinhei seus cabelos para confortá-lo. Me doía vê-lo sofrer por minha causa, por causa da nossa violação moral e religiosa.

— Não, pastor, o senhor não me forçou a nada. Eu que quis, se houver algum culpado nessa história, com certeza sou eu. O senhor é um homem íntegro, e merece tudo de bom nesse mundo.

— Ainda assim, você é só um jovem que entrou na vida adulta. Eu sou mais velho, mais experiente, e sou um pastor... Seu pai confiou em mim. Eu deveria ter dito não. Olha o que eu fiz, eu bati em você, machuquei você.

— O senhor não me machucou, o senhor me fez feliz, me deu algo que eu sempre quis. Ainda que estejamos errados, eu me senti plenamente vivo por sua causa.

— De qualquer forma, Gustavo, como eu vou continuar encarando o seu pai? Como eu vou viver com a minha esposa sem pedir perdão a ela? Como eu vou falar com uma igreja inteira sem parecer um grande hipócrita?

— O tempo responderá todas essas questões, mas o senhor não precisa se martirizar antes da hora. Você é humano, e é falho como qualquer um de nós. Quanto a mim, já sou um adulto e sei muito bem o que faço. Pode jogar essa culpa sobre mim, não tem problema.

Segurei seu rosto frente ao meu e enxuguei suas lágrimas para então beijá-lo outra vez. Foi um beijo de amor. Não um amor desses de novela, nem tínhamos tempo para desenvolver um sentimento assim, mas um amor de cuidado, um amor de compreensão e companheirismo.

— Gustavo, acho que você me condenou a uma vida de pecado. A uma vida na qual eu nunca pensei que entraria. Mas de muitas formas, você me salvou também. Com você eu me senti desejado, apreciado de uma forma que jamais havia sentido. Foi como se eu fosse indispensável.

— Mas você é indispensável, para mim e para muitas pessoas. Eu vejo o jeito que você trata, a forma como você fala com aqueles que precisam da sua ajuda. Isso é lindo. Um dia o senhor será recompensado por ser tão generoso, mesmo comigo, que lhe trouxe tantas preocupações. – Dei um singelo beijo em sua bochecha e me aninhei em seu peito como se fôssemos grandes amantes. – Obrigado, pastor Saulo.

Fechei os olhos e fiz uma breve oração pedindo que ele mantivesse aquela sensação de importância pela vida inteira, mesmo quando eu já estivesse longe.

A chuva não dava trégua e eu queria dormir ali junto dele, mas não podia. Infelizmente não podia. Já tinha se passado muito tempo. Nós nos vestimos e esperamos a chuva passar envolvidos no calor um do outro.

Eu não o deixei abotoar a camisa, queria ficar recostado em seu peito, sentindo os seus pelos em meu rosto. Quisera eu ter esse homem não só pelos breves momentos em que fui capaz de enredá-lo em minha teia. Quisera eu tê-lo encontrado num mundo onde meus desejos não fossem condenáveis. Acho que eu teria que me conformar com a poderosa barreira que me separava dos meus sonhos.

Minutos mais tarde, calados na porta do escritório, olhando para fora, resolvemos ir para casa daquele jeito mesmo. Saímos no meio de uma chuva torrencial. Eu corri para a minha casa e ele correu para a dele. Em direções opostas, eu não poderia atormentar sua fé, e tampouco planejava vê-lo tão cedo.

Faltaria aos cultos, mesmo contra a vontade do meu pai, mas não me sentiria bem em fazer mal aquele homem tão bom. Tentei me por no lugar dele, ter os seus ideais e as suas convicções, e não achei justo atormentá-lo com a minha forma de agir, com a minha insistência em ter o seu corpo para mim. O pastor Saulo merecia algo mais, merecia a felicidade plena, e alguém como eu não poderia participar do seu mundo e lhe entregar uma vida de realizações.

Nunca mais estivemos juntos desde então. Mesmo nos cultos dos quais eu não pude fugir, foram olhares evitados e sorrisos nervosos, acenos de cabeça e lembranças inesquecíveis que quase ganhavam vida em meus olhos.

Alguns meses depois, com minha carta de admissão em mãos e um coração cheio de esperanças para uma nova vida longe das palavras duras que cresci ouvindo, eu estava na estação, com uma mala e uma mochila, pronto a deixar para trás todo o meu passado e a repreensão da minha família, que não estava ali comigo a pedido meu.

Na nova cidade onde eu ia estudar e morar finalmente, teria a liberdade de viver meus sonhos sem me tornar uma escória para as pessoas que me cercavam, sem ter meus valores questionados a cada instante. Cairiam dos meus braços as correntes que me aprisionaram, e eu seria feliz, eu sabia.

Quando os passageiros começaram a embarcar no longo ônibus que nos levaria, eu dei minha mala ao cobrador e observei o bilhete com o número do assento.

— Gustavo?

Me virei para o dono daquela voz tão bonita e lhe dei um sorriso encantado de um adolescente apaixonado.

— Pastor? O que o senhor faz aqui? Veio deixar alguém?

Ele deu um passo para perto de mim.

— Vim para ver você. Seu pai comentou no culto de ontem que você se mudaria hoje.

— Desculpe não ter ido. Eu estava ocupado organizando minhas coisas.

— Sei que esse não é o real motivo, mas eu entendo.

Abaixei os olhos e disse ao lembrar dos nossos últimos minutos sozinhos naquele escritório:

— Espero que o senhor tenha ficado bem, depois de tudo. Que não tenha se remoído de culpa. O senhor não merece passar por isso.

— Me chame de Saulo, por favor. Quando você me chama de senhor eu me sinto muito velho, e quando você me chama de pastor, aí sim eu me sinto culpado.

Nós rimos como dois amigos. Depois fizemos um silêncio amortecido pela cumplicidade em nossos olhos.

— Bem, Saulo, saiba que estou indo embora e que não pretendo voltar, nem para passar férias. Um dia, talvez, eu volte rico para ajudar essa cidade, ou para me vingar, como acontece nos filmes.

Ri sozinho da minha brincadeira, ele permaneceu a me encarar com sua feição serena.

— Não estou feliz com a sua partida. Não estou feliz com o rumo que as coisas tomaram entre nós. Queria ter sido um pastor melhor para você, um amigo melhor também.

— Mas você foi. Você me deu as duas ocasiões mais mágicas da minha vida. Não como pastor ou amigo, mas como homem. E eu te agradeço demais por isso, mesmo sabendo que são lembranças ruins para você.

— Aí é que está: elas não são ruins. São o exato oposto na verdade. É por isso que penso tanto em você. – Ele sorriu ao fazer uma negação com a cabeça. – Consegue acreditar? Eu que nunca havia sentido essas coisas, agora sinto a falta de outro homem. É uma grande ironia, não acha?

— Não, não acho. – Olhei para me certificar de que o ônibus ainda estava atrás de mim. – Eu acho que somos pessoas que vivenciaram um belo momento, e que sentem saudade por ter sido muito bom. Não tem nada de irônico nisso.

— Gostaria que você estivesse certo.

— E eu gostaria que você vivesse sua vida da forma que mais lhe fizer feliz. Não se prenda a um casamento sem amor, ou a uma religião que colocará um peso nos seus ombros. Eu estou indo embora hoje atrás da minha felicidade, mas vou orar todas as noites para que você encontre a sua também, se já não tiver encontrado, é claro. Eu me importo com o senhor... Eu me importo com você, Saulo.

— Também me importo com você, Gustavo. Por isso me preocupa essa sua mudança. Como vai ser lá? Como vai se manter?

— Eu vou morar no campus com um colega de quarto. E aquele meu amigo com quem você me viu conversando também foi admitido. Ele se mudou antes de mim e conseguiu um emprego para nós na loja do tio dele. Eu vou ter um trabalho e vou ter onde dormir. Tudo dará certo. Não seja um homem de pouca fé.

Meu comentário o fez sorrir. Ele correspondeu com um aceno de cabeça e os olhos brilhando.

— Ainda assim, aceite isso.

Sua mão se ergueu com um envelope marrom. Eu o peguei e abri para ver o que era.

— Essa quantia equivale a um mês do meu salário.

— Saulo, você não...

— Por favor, aceite, é de coração. Como disse, eu me preocupo com você, e fico mais tranquilo desse jeito. Use para uma eventual emergência.

Sem reclamar ou tentar negar o seu presente, eu aceitei aquele dinheiro e o guardei na minha bolsa.

— Obrigado. Você é realmente o melhor homem que conheci. Nunca tive dúvidas disso. – Olhei para trás e o ônibus já estava ligado. – Agora eu preciso ir.

— Vá com Deus, Gustavo.

— Será que eu posso te dar um abraço antes? Acho que não pensarão mal de nós numa ocasião dessas.

— É claro que pode... – Ele abriu os braços. – Vem cá.

Timidamente, por medo dos olhares, cheguei bem perto e lhe dei um longo e apertado abraço, aspirando o seu cheiro e sentindo a força dos seus braços. Queria levar comigo aquela sensação, o carinho daquele enlace.

— Talvez um dia eu também saia dessa cidade. – Falou baixinho em meu ouvido. – Talvez um dia eu apareça na sua porta.

O soltei quase chorando e ajeitei minha roupa sem conseguir olhá-lo.

— Esperarei por isso. Adeus, Saulo.

Lhe dei as costas, mas ele me segurou pelo pulso.

— Gustavo...

Olhei de volta e vi uma pequena e amassada flor branca em sua mão.

— Leve com você. Eu vi que gostava delas.

Peguei a flor e a cheirei de olhos fechados. Sorri para ele e respondi recuando:

— Obrigado. Eu gosto muito. Elas me lembram alguém especial.

Corri para o ônibus que estava quase partindo e me ajeitei em meu assento junto a janela. Senti o perfume daquela flor uma vez mais e então a guardei no bolso da minha camisa.

Olhei para fora e Saulo ainda me observava, parado junto as outras pessoas na rodoviária. O ônibus começou a andar e eu sorri para ele, lhe dando um simples aceno de mão como a nossa última despedida. Quem sabe ainda nos encontrássemos em algum lugar pela estrada, porque eu tinha certeza de que era apenas o começo de um grande futuro.

FIM

Pessoal, convido vocês a conhecerem meu livro AUSTERO, é a continuação de uma história publicada aqui, chamada Meu Homem Voltou de Viagem, agora tem 687 páginas e muitas emoções. Abaixo deixo o link do livro na Amazon:

http://amazon.com.br/AUSTERO-Tiago-Castro-ebook/dp/B07HYFGR8F/ref=zg_bs__1?_encoding=UTF8&psc=1&refRID=8W2TCYRMXVMYZW64ZHBH

Por favor, se gostaram desse conto, votem e comentem, é importante a divulgação. :) Obrigado

Comentários

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18/04/2019 00:48:25
Tiago teu conto é sensacional, maravilhoso, cheio de emoção e sexo ...adoraria ter alguém assim...bjs
17/04/2019 13:33:30
Grande Tiago, que saudade dos seus contos, querido! Já comprei o Austero, pq adoro aquela história. Tem previsão e preferencia para escrever mais alguma das suas historia e transformar em livro? Entra em contato comigo via email: Abraços!
17/04/2019 13:31:44
a
16/04/2019 15:27:18
Muito bom!
15/04/2019 15:01:58
Adorei o seu retorno e, que retorno... Foi totalmente por acaso que eu vi sua reedição, que por sinal está in.crí.vel... Que venham outras por aí...
15/04/2019 14:48:07
Sinceramente eu duvidei que era você Kk eu acompanhei no wattpad é uma história muito boa e emocionante quem pude ler no Amazon não vai se arrepender
15/04/2019 01:46:30
Incrível!!! Li a primeira versão e fiquei feliz de ver vc de volta!! Posta mais!!!
14/04/2019 21:08:54
Nossa q história linda, parabéns, faz a continuação
14/04/2019 10:26:29
Faz a continuação. Vc sumiu, quando vi o nome do autor, precisei abrir o perfil pra ter certeza q era vc.
14/04/2019 08:49:48
Um dos melhores autores da CDC volta a postar aqui ❤❤
14/04/2019 03:03:06
LEIA-SE 'SAULO' ONDE SE LÊ 'SAULA'.
14/04/2019 03:02:04
UAUUUUUUU. NÃO ME LEMBRO DE TER LIDO A PRIMEIRA VERSÃO. MAS DE LONGE ESSE É O MELHOR CONTO DE TODOS QUE JÁ LI AQUI NA CDC. FOI A MELHOR EXPLICAÇÃO SOBRE HOMOSSEXUALIDADE QUE JÁ LI. GUSTAVO ME PARECE MUITO ADULTO E RESOLVIDO. UMA PENA MESMO MORAR NUMA CIDADE PEQUENA E TER PASSADO PELO QUE PASSOU. ALÉM DO QUE TER UMA FAMÍLIA COMO A QUE ELE TEM. MAS A VIDA É ASSIM MESMO. CREIO SEM DÚVIDA NENHUMA QUE ESSE CONTO MERECE UMA CONTINUAÇÃO. GOSTARIA MESMO QUE ESSES DOIS CONTINUASSEM, QUE MANTIVESSEM UM RELACIONAMENTO DE AMOR ETERNO. VOU REZAR PARA QUE SAULA VISITE GUSTAVO EM BREVE E VIVAM FELIZES PARA TODO SEMPRE. AMEI DE CORAÇÃO ESSE CONTO. PARABÉNS AO ESCRITOR. SÃO RAROS OS BELÍSSIMOS CONTOS E ESSE SEM DÚVIDAS É UM. APESAR DA TRISTEZA PELO FIM E PELA SEPARAÇÃO DOS DOIS. VOU DEIXAR AQUI UM ATÉ BREVE NO DESEJO DE LER UMA CONTINUAÇÃO. ESSES DOIS MERECEM. RARO UM PASTOR OU OUTRO RELIGIOSO SE PROPOR A VIVER UMA HISTÓRIA DE AMOR ASSIM. PARABÉNS.

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