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Pé de Moleque (Caçula) - Parte 2

AVISO: este é um conto grande. Sim, é ENORME, já aviso agora! Se você tem preguiça e não curte ler histórias ricas em detalhes, sugiro que pare por aqui! Não diga que não avisei.

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QUEDA

No fim daquela tarde, quando João finalmente tornou a abrir os olhos, ainda estava deitado na cama do hotel com cara de pousada. A mente tristonha logo tomou consciência de todas aquelas coisas difíceis e complicadas acontecendo e os olhos do professor não demoraram a se encher d'água. Em poucas horas no sul, estava arrependido, revoltado e melancólico pelos novos rumos que seu relacionamento com o sargento Ângelo, seu Anjo, havia tomado. Durante tanto tempo imaginando o marido trabalhando pesado e tendo que suportar a caótica realidade urbana do Rio de Janeiro sem a presença do mesmo do seu lado, para agora chegar de surpresa e vê-lo numa situação completamente íntima com outro cara. Não somente outro rapaz, mas um outro viado. Outro ser possível de ser percebido pelos olhos adultos do mesmo Ângelo que fora um ex-aluno rebelde de outrora, e que também o percebeu, mesmo na condição de professor. De mestre. O Anjo que já chegou a apunhalá-lo pelas costas quando sentiu que poderia, tendo colocado as próprias mãos na Cíntia. A mesma mão que tanto acarinhou João e conquistou sua confiança, sua devoção e amor incondicional. O professor até perdoou aquela traição, afinal de contas, talvez a magia estivesse nos pés, não nas mãos em si. Sentado na beira da cama, bastante pensativo sobre os últimos acontecimento e sobre como chegou ali, o pai de Aurora foi até o banheiro e se olhou no espelho. O cabelo desgrenhado, os olhos pouco fundos pela noite de cansaço e a manhã de tristeza, misturados e confundidos um com o outro, quase que parecidos no mesmo efeito prático de deitar um homem em sua melancolia e aquecê-lo do frio até o sono profundo. Só quem já chorou por essas questões sabe como é!

- "Que bagunça.." - a mente pensou depois de ver o corpo refletido no espelho.

João encheu as mãos de água gelada da bica, esfregou no rosto mal dormido e só então se deu conta de que o dia ainda não havia terminado e seus horários estavam mais do que desregulados. Não somente isso, ele retornou cambaleante pelo quarto e aí percebeu mais uma coisa importante: ficou tão revoltado de manhã que esqueceu de que suas malas ainda estavam no quarto do sargento, ou seja, antes de retornar ao Rio de Janeiro teria de encontrá-lo, vê-lo mais uma última vez, algo que não queria e por isso mesmo fez questão de procurar um hotel pensão.

- "O dinheiro ainda tá comigo, eu posso voltar e deixar tudo aí. Também tô com celular e documento." - João foi pensando e tocando os próprios bolsos na roupa pra confirmar tudo que estava se passando pela mente.

De tão puto pela traição de Ângelo, chegou a cogitar a possibilidade de voltar ao Rio e deixar as bolsas no sul, uma vez que nada de muito importante estava lá. O orgulho se encarregou de dar os toques finais naquele sentimento parado de tristeza. O que poderia vir dessa fusão?

- "Vou voltar pro Rio e me matar de trabalhar. Vou devolver cada centavo que esse filho da puta me deu!"

A mente impaciente e transtornada do professor deu início ao processo de catálise emocional e reacional. Algo além de uma melancolia estagnada seria necessário para agitar o mar de lágrimas dentro daquele corpo de trintão, agora solteiro. Além de putaço, João passou por poucas e boas antes de ali chegar. Lembrou-se da cena de Anjo e Cíntia em sua cama anos atrás e fechou os punhos de raiva. Recordou-se também de Luiz Otávio, o aluno bolsominion e sem noção que tanto o importunou nas últimas semanas, trazendo uma diferente sensação de medo, que ele havia sentido pela última vez apenas quando estava no ensino médio e foi zoado pelos valentões da turma por conta do comportamento "calmo demais para um menino". João triste estava alcançando um nível diferente de emoção. E, de acordo com a terceira lei da física dos sentimentos, para toda emoção, há uma reação. De mesma direção, porém no sentido oposto. Alguma coisa dali nasceria, e, seja lá o que fosse, era do meio de muito arrependimento, revolta e vontade de reagir. Pôs a mão no bolso traseiro, sentiu o dinheiro enviado por Ângelo semanas atrás e lembrou-se também de como o Governador do Rio de Janeiro havia fodido completamente com sua vida financeira, o que o obrigou a retornar às salas de aula do ensino privado. Os dentes cerraram, João ficou com o corpo quente e chegou a socar a superfície da mesa de centro, que inclusive fora rodeada várias vezes nos últimos minutos, enquanto ele decidia o que fazer a partir dali. Neste mesmo instante, o som de uma badalada foi escutado ao longe. Na praça da cidade não muito perto dali, o aviso indicando o período do dia.

- "Seis da noite.."

Silêncio total. Só certezas! A mente dele badalou na mesma intensidade, direção, porém sentido oposto do que havia concluído até então. Ele retornou ao banheiro, escovou os dentes e, com frio, vestiu o único casaco que trouxe consigo no corpo. Saiu porta a fora decidido sobre onde ir, o que e como fazer. Na cabeça, somente um pensamento.

- "Só quero as minhas coisas."

Ângelo também precisou de algumas horas de tranquilidade depois de perceber o nível de desordem que havia se instalado em sua rotina desde a chegada do professor no sul. O encontro inesperado na porta do quarto, o outro mais inesperado ainda dentro do batalhão de treinamento, Samuel e Renan trazendo dores de cabeças jamais pensadas anteriormente, tudo estava dando errado aos poucos pro sargento. Começando pelo fato de que, tendo visto João dar as costas para si e ir embora durante a última discussão, Ângelo teve que lidar com o lado emocional abalado do marido, além do próprio. Fardado, enxugou as lágrimas, levantou-se daquele chão e passou o resto da tarde tendo que ignorar as olhadelas dos colegas milicos, que com certeza perceberam o começo do vexame em plena área militar e, àquela altura, já haviam espalhado a nova fofoca do momento.

- "Já viram o namoradinho do sargento, rapaziada!?" - ele conseguia escutar do fundo da mente culpada.

Cansado, o milico optou por terminar o expediente dentro das dependências do quartel, acompanhado por poucos recrutas na área de Intendência da unidade. No fim da tarde, esperou que todos saíssem dos vestiários para só depois tomar banho, visando não ter que escutar piadas de quaisquer tipos. Aquela mudança anormal de rotina deixou Anjo inquieto, com a mente barulhenta, porém reação calma e introspectiva. No silêncio dos chuveiros, completamente sozinho, ele lembrou-se de como todas as coisas aconteceram tão rápido e tudo acabou se desenrolando na hora errada e no pior lugar possível. Por conta de todas as alterações repentinas do dia, acabou saindo do batalhão horas depois do que comumente saía, porém sem ser perturbado por qualquer deboche ou olhada disfarçada de superiores e inferiores colegas de farda. Alto e cheio na calça jeans, mulato troncudo e com cara de emburrado, não pôde evitar os olhares das outras pessoas na rua, porém. Mas até o garoto com roupa de escola pública que passou ao seu lado e sentiu o delicioso perfume madeirado fora deixado pra trás sem qualquer resposta à cantada dada.

- "Esse militar só pode estar viajando. Uma mala pronta dessas!" - brincou e foi deixado ao relento pelo tristonho sargento andando com jeito de perdido e bastante pensativo.

Anjo preferiu andar o quase um quilômetro que separava o quartel do lugar onde estava hospedado, então levou ainda mais tempo para finalmente chegar no hotel com cara de alojamento. Passou pelo hall principal e não encontrou a funcionária de sempre na recepção, talvez por isso não tenha sido avisado de possíveis visitas àquela hora da noite, tão depois do horário que estava habituado a chegar. Mas foi só sair do elevador e dobrar o corredor que os olhos de Ângelo pararam, assim como o restante do corpo, só que isso não foi espontâneo. Pareceu uma onda de realidade que o imobilizou aos poucos, membro por membro, até ficar estático. A figura sentada em frente à sua porta percebeu a presença dele e se pôs de pé. Olhos nos olhos, dentes nos dentes. Como terminaria o mundo?

- Você..

Disse o sargento surpreso.

- Eu só quero as minhas coisas.

João fez de tudo para não chorar, mas ali, diante dos próprios olhos, estava a representação física de tudo que ele pensava, fazia, sentia e conhecia sobre um dos conceitos mais subjetivos que um professor pode pensar em ensinar ou transmitir: o amor. Complexo, cheio de questões, quando na verdade o que mais importava talvez fossem as respostas. Uma tremenda falha de comunicação, por assim dizer. O sargento desfez a cara de aborrecido, chegou até perto de sorrir, porque sentia a mesma coisa pelo amado.

- Será que.. Será que a gente pode conversar? - Anjo perguntou.

Tentou dar um passo na direção do professor, mas hesitou quando notou que ele, apesar dos olhos cheios d'água, estava decidido do que fazer a partir dali. Foi como se as palavras tivessem demorado a fazer sentido em sua mente.

- Eu já fiquei duas horas sentado aqui te esperando. Não dificulta mais as coisas, Ângelo.

Silêncio, só ouvidos e sentimentos trabalhando e sentindo todo e qualquer sinal de emoção. Muitos anos de convivência em conjunto para agora ter que segurar a vontade e a intenção de permanecer junto, de se entregar e abraçar, beijar. Não deveria ser assim? O sargento notou a aparência séria e conformada do ex-marido e tentou mais uma vez, porém de outro ângulo.

- Você tá bem, João?

O professor cruzou os braços e não perdeu tempo.

- Estou ótimo, só com um pouco de sono. Agora será que você pode abrir a porta?

Saiu da frente dele e deu caminho para que destrancasse o quarto. O mulato pensou por alguns instantes, entendeu que não haveria conversa e optou por não transformar aquela situação em algo pior do que poderia ser. Deu alguns passos até a porta, colocou a chave e girou a maçaneta. Sentiu o ar cheiroso do próprio quarto bem organizado e acendeu a luz, caminhando desolado até a geladeira. Serviu-se de um copo de água gelada e só escutou o barulho do professor entrando atrás de si e reunindo tudo que o pertencia, além de bolsas e algumas peças de roupas deixadas espalhadas.

- Eu não vou ser um ex-marido ingrato, Ângelo, pode ficar tranquilo!

As palavras arrepiaram a base da coluna ereta do sargento como nenhuma rotina cansativa de exercícios do batalhão fazia. Ele pressionou as mãos na pia de mármore e não quis virar pra ver, porém o fez, tentando se conter no tom.

- Assim que meu pagamento cair, eu vou depositar tudo que você me emprestou nesses últimos meses. Sem ressentimentos!

Anjo não teve como permanecer calado depois daquela ofensa.

- Tá de sacanagem, né, João? Você só pode estar brincando com a minha cara!

- Brincando?

O professor ficou indignado e parou a reunião de objetos e peças de roupas próprias que estava fazendo. Olhou na direção do atual ex-marido e sentiu vontade de atirar-lhe qualquer coisa, pois odiava não ser levado a sério.

- Não somos mais nada, Ângelo! Você ainda não entendeu?

Guardou roupas na mochila das costas, tomou uma bolsa no braço e se preparou para sair.

- E a Aurora? E a Cíntia? Esqueceu delas, João?

A resposta veio automática.

- Não se preocupa com elas, não fazem mais parte da sua família.

O sargento não segurou o riso, inclusive encheu o peitoral estufado só para esbravejar a vontade forçada e ao mesmo tempo debochada de lidar com aquela atitude que julgou infantil.

- Acorda, João, nós não somos mais crianças! Além de prepotente, tu tá sendo egoísta e pensando só em você! Ou tá pensando que pode responder pelas duas?

O professor apontou de longe na cara do milico.

- A Aurora é minha filha, então eu respondo por ela!

- A Aurora é NOSSA filha, João! Você pode responder por ser pai dela, mas ela também vai sentir saudades de mim!

- Ninguém sente saudades de você, Ângelo! - disparou um João preparado para dizer tudo que fosse necessário naquele possível último encontro.

Esse tiro foi certeiro no peito do militar, que na hora soube que aquela era uma inverdade, porém o homem que tanto amava era capaz de recorrer à ela como forma de feri-lo numa discussão.

- Isso porque tu avisou que não seria ingrato, ein! - respondeu. - Um trintão que age feito um adolescente de 15 anos!

Era necessário responder à altura, só assim Anjo conseguiu obter mais seriedade e atenção da parte do professor, que parou para fitá-lo com raiva.

- Além de ingrato, um puta de um egoísta! Eu vim pro sul trabalhar, me matei pra te mandar dinheiro e é isso que recebo em troca!

- Só esqueceu da parte que você me trai!

- TE TRAIR COM QUEM, JOÃO!? Tu tá todo enciumado por causa de um viado do batalhão e não me escuta! Já parou pra pensar na possibilidade de tu tá errado e tudo isso ser injustiça!? - resmungou. - Não sei quantos anos de professor e não consegue ter uma visão apurada, puta merda!

O pai biológico de Aurora se aproximou do sargento e disse em tom de pura raiva e resignação.

- Eu não me importo mais com o que você acha de mim. Fiquei meses e meses sozinho naquela merda de lugar e quando chego aqui descubro que sou um incômodo, pra não falar do resto das coisas que ainda tô descobrindo!

Ângelo aguardou.

- E, independente de qualquer coisa, vamos combinar que não seria a primeira vez que você me traiu, né verdade? Então para de falar como se eu fosse o louco que não tem razão nenhuma pra desconfiar, ok!?

O milico então o relembrou.

- Sem ressentimentos? Sei..

- Não estou ressentindo, só relembrando com fatos. Ou é mentira minha!? - perguntou debochado. - A Cíntia também não esqueceu!

Ângelo não soube mais o que dizer. Parou e só escutou a partir dali.

- Não quero me sentir como uma pedra no sapato de alguém, por isso acho mais do que justo eu te devolver o dinheiro que você emprestou. É digno! Eu sou digno, tenho palavras, você não deve saber muito bem como funciona!

Virou de costas e começou a caminhar em direção à porta de saída.

- Tu vai voltar pro Rio?

Mas o militar não teve uma resposta. Seguiu o ex-marido e insistiu.

- Aonde você tá dormindo, João?

- Pra que você quer saber? - debochou enquanto esperava pelo elevador que o levaria até o hall de entrada, no térreo.

- Eu me importo com você!

Agora foi a vez do professor rir alto, em tom nitidamente irônico.

- Comigo e com mais uma porrada de viado do quartel, né? Foi lá devolver as cuecas de um deles que tavam no teu quarto, inclusive!

Anjo não respondeu, só sentiu por aquela cena de mais cedo, antes de tudo desmoronar em queda livre.

- Você nem se defende mais, né? Nem faz mais questão!

- Eu sei que tu chegou num ponto em que só vai escutar o que quer. Do que adianta eu ficar aqui falando? Três anos de relacionamento, eu falo pra pessoa que não traí e ela diz que eu tô mentindo. Tu quer que eu fique insistindo, é isso? Então tá, João, eu insisto! Por favor, me desculpa pela traição que eu não cometi!

Lado a lado e sozinhos no corredor, os dois se olharam e bufaram como se estivessem preparados para um confronto físico e direto. As mãos de Anjo se fecharam, João quis agredi-lo, porém ambos se controlaram por um breve momento, apesar do clima caloroso permanecer presente, subindo assim como o indicador da posição do elevador através dos andares do prédio residencial.

- Pra onde tu vai?

- Pergunta pros seus amigos militares.

Aquela resposta foi demais, agora o ego de Ângelo havia sido atacado e puxado de lá de dentro de si à força, exposto pra fora como se fosse maior do que realmente era. Ele imaginou, por um curto momento, o professor num mesmo ambiente em que outro militar senão ele mesmo. Alguém como o Renan, por exemplo, próximo de tocá-lo e preparado para pôr as mãos em seu bem maior, seu amor da vida. NÃO! Aquelas mãos de moleque abusado, problemático, insolente, impulsivo, inconsequente. Mais uma vez a sequência de palavras iniciadas por "in" se fazem presentes, de forma mais do que injusta para definir a sensação repugnante que deixou o milico com a boca fortemente amarga.

- TU TÁ MALUCO, JOÃO!?

O pai de Aurora sentiu o coração bater forte e se assustou com o berro. A mãozorra do ex-marido bateu firme contra a porta do elevador e Anjo aproveitou para cercá-lo e deixá-lo acuado, pondo em seguida a mão em formato de arma apontada em sua cabeça. Que homem quer imaginar ou ouvir aquilo do próprio macho? O sangue estava fervendo, borbulhando, eles até começaram a suar.

- Tá colocando o nome dos meus amigos nisso por que? Quem tá entendendo tudo errado é você, eles não fizeram nada demais, aquilo foi uma zoação qualquer! - o sargento estava dando início a um processo de raiva manifestada, da qual sentiu que nunca esteve antes na presença do professor.

O que poderia acontecer? João sentiu que precisava de ser pior que ele, ainda mais depois de descobrir o ponto fraco do ex-aluno, que era ver-se deixado para trás e trocado por alguém conhecido. Ah, o famoso e velho ego masculino! Passam os tempos e mudam-se somente as formas, porque os conteúdos permanecem intactos. Ciúmes, possessividade, "cuidar do que é seu e daquilo que você acha que deveria ser".

- Não é possível que você ainda tem a CARA DE PAU de defender aquele recruta abusado que te jogou beijo! Tá se revelando mesmo, ein, Anjinho! Um verdadeiro diabo, quem diria! - fez uma pausa e sentiu-se cada vez menor, cercado no canto do hall por um cafuçu com cara de ruim e a carcaça musculosa cada vez mais quente e crescida pra cima de si, capaz de qualquer coisa.

Cadê o elevador quando se precisa dele?

- JÁ TE FALEI, FESSÔ! Já avisei que não quero ser o macho que diz que em casa a gente conversa! Tu deixa de historinha e vê se começa a me escutar!

- De você eu não quero ouvir mais nada, Ângelo! Sei que essa boca só conta mentira, por isso vou perguntar a quem te conhece de verdade, que são esses amigos que você tanto defende!

O sargento bateu o pézão no chão e se sentiu puto, inútil em qualquer atitude. A violência física pareceu uma ideia razoável a ambos, até que ele pensou e respondeu.

- Tu tem que escutar deles pra poder botar fé, né? Ouvir de mim não basta!

O professor foi rápido e imperdoável.

- Óbvio! Acreditar em quem já me traiu? NUNCA! - implacável.

Foi nesse instante que todos os limites possíveis foram quebrados, estilhaçados diante e entre eles. A mão enorme de Ângelo parou no ombro do pai de Aurora e o apertou firme, preparado para machucá-lo com força no menor sinal de fragilidade. João até sentiu um incômodo, mas sabia que nem na pior das hipóteses aquele homem teria a coragem de feri-lo. A porta do elevador então abriu e, de dentro dele, saiu um homem já coroa e com farda de exército, a cabeça careca reluzindo à luz do hall. Ele custou a perceber o ex-casal parado ali no canto, então estranhou por um breve momento e logo os cumprimentou.

- Noite, rapazes!

Essa quebra de clima trouxe os nervos dos dois à normalidade, desarmando qualquer ódio latente que pudesse ainda estar correndo entre eles. João aproveitou a deixa para sair do controle do ex-marido e, uma vez livre, enfiou-se dentro do elevador vazio, limpando o contato da mão dele em sua blusa parcialmente amassada. A cara amassada, os olhos em fúria, as pernas se mexendo incansavelmente.

- Noite, tenente! - Anjo respondeu educado, o tom mais sério do que nunca.

E ficou parado até que ambas as portas se fechassem, tanto a do apartamento do parceiro de quartel, quanto a do elevador onde seu ex-marido acabara de entrar. Elas se fecharam e ele ficou ali sozinho, sentindo todo o ódio quente se espalhando por todos os vasos sanguíneos do físico avantajado. A mente em completa ebulição, as mãos precisando de algum tipo de ação, além do andar lento de volta para dentro do próprio apartamento. Ângelo contou dez minutos andando de um lado para o outro, pensando a mil por hora no que fazer. Quando sentiu que nada estava ao próprio alcance, cruzou a postura num soco que, tomado de raiva, acertou a parede e ecoou pela estrutura do cômodo.

- VIADO FILHO DE UMA PUTA! - gritou.

Pareceu um touro irritado, doido pra enfiar os chifres em alguma coisa, não fosse pelo fato de que era ele o traidor até então. De quem estava falando?

- MALDITO SAMUEL, POR QUE ELE TINHA QUE ABRIR A BOCA!? - mão na cabeça, suor escorrendo. - Mas o João também veio sem nem avisar, que saco! Que merda de encontro ridículo! COMO ISSO FOGE DO MEU CONTROLE ASSIM!?

Fora de si, o sargento de quase dois metros de altura atirou o controle de um dos aparelhos elétricos contra um vaso de vidro que foi jogado ao chão, quebrando em seguida. O barulho do estilhaço veio com outro grito possesso, ao lembrar-se do mesmo contexto imaginário de minutos atrás: Renan ou Samuel colocando as mãos no corpo imaculado e tão perfeito de seu amado. Aquele corpo que ele e somente ele poderia conhecer de cor e salteado, ninguém mais. Os dedos dos pés fincaram no chão, o rosto pegou fogo e os olhos entraram em chamas num só instante. O suor veio descendo pela veia marcada e nem o frio sulista conseguiu deitar ou sossegar aquele indomável cafuçu carioca.

- Parece que tá na hora de eu ter outra conversinha com o Samuel Recruta, esse abusado do caralho! Não aprendeu nenhuma das ordens que eu ensinei no último encontro, mas que viado imprestável!

Deu-se ao trabalho de pegar apenas uma jaqueta de couro e saiu batendo a porta e chutando qualquer coisa em seu caminho. Socou o botão do elevador com um murro e ficou andando de um lado ao outro do hall esperando, até que se emputeceu com a demora e decidiu descer pelas escadas, ainda xingando e esbravejando alto para quem quisesse escutá-lo.

- TU VAI ME PAGAR, SAMUEL! E TU TAMBÉM, RENAN CAÇULA! PODEM ME ESPERAR!

Com a velocidade adquirida durante a descida ecoando nos corredores ao longo dos outros andares, Ângelo simplesmente pisou na calçada e foi com tudo em direção à rua, decidido sobre o que fazer e como fazê-lo. Ele não sabia onde ou quando encontraria novamente com aqueles dois aspiras que estavam trazendo tanta dor de cabeça, mas sabia que ficar em casa não era opção. Extravasar a raiva era preciso, então o sargento esqueceu de tudo e saiu. Só que esquecer de tudo não é solução para nada. Logo de cara, um homem numa bicicleta quase o atropelou na calçada do bloco. Anjo recuou num último segundo e caiu sentado pra trás, direto numa poça d'água que rezou para não ser mijo de cachorro.

- OLHA PRA FRENTE, SEU VIADO! - gritou o ciclista.

- VAI TE FUDER, ARROMBADO! - respondeu o militar irritado.

A veia saltou na testa, ele sentiu a raiva dominar o corpo e percebeu que estava muito afetado por tudo ao redor. As incertezas, o peso das responsabilidades, o horizonte pelo qual tudo parecia estar escorrendo lentamente, além do incessante ruído na mente e uma vontade de cometer uma agressão se espalhando pelo físico. Pra tentar tirar da consciência a possibilidade de ver João fazendo alguma coisa com algum colega de farda, Ângelo optou por ele mesmo checar as eventualidades do acaso, as possibilidades dos encontros e a maneira como as informações eram espalhadas. Em sua mente, João não teria fácil acesso ao endereço de ninguém. Ele então pensou rápido e decidiu fazer um pouco de pressão. A quem quer que quisesse derrubá-lo, o cafuçu lembraria que era um mulatão corpulento e cheio de maldade, com a cintura arrogante e bruta no amor, preparado pra qualquer caô e sem tempo ruim para nada. Ângelo sentiu-se solto na cidade, para tentar se desprender da raiva acumulada no peito. Se era para cair, mostraria como era impactante a queda de um puta mulato gigante colossal daqueles, em todos os sinônimos do que significa cair: labéu, declínio, decadência, ruína, abismo e vergonha.

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DOIS VICIADOS

Do alto da árvore no quintal da área militar, o moreno de sol se preparou e deu um único pulo com as pernas firmes no gramado aparado do quartel. Dobrou-se ao chão, sentiu o impacto e recuperou o equilíbrio, colocando-se de pé poucos segundos após o contato. A mesma calça branca da marinha, a tira da cueca de fora como sempre, além do cordão de milico preso no pescoço, ao redor do trapézio robusto e em crescimento. Renan sentiu que o pé esquerdo sustentou muito mais o tranco do corpo do que o pé direito, algo que ainda não havia percebido ao longo dos últimos treinos semanais, apesar da performance física e sexual continuar impávida. Afinal de contas, aquela era a carcaça sendo moldada lentamente que o Samuel tanto adorava se pendurar e prender os pés nos ombros, além de se entregar todo quando sentia a cabeça do instrumento cutucando no rabo e a voz manhosa, ditadora e taxativa implorando por trás do ouvido.

- "Vamo fudê, vamo?"

- "A gente tá no meio da formação, Caçula!"

Uma fileira e diversas colunas de aspiras em posição de sentido, obedecendo à ordem do mesmo sargento ditando as ações. Ângelo dividindo os futuros pelotões no treinamento para a vida de força armada.

- "E daí? Vamo fudê aqui mermo, vamo!? Tô doido pra te enfiar isso aqui!"

Nas maravilhosas lembranças, Renan rememorou o quão encaralhado ficou quando viu Samuel vestindo pela primeira vez a futura vestimenta de marinheiro, com direito à calça branca socadinha no cuzão enorme e farto de malhado, marca da cuequinha por baixo e uma espécie de paletó também na cor branca, delineando toda a cintura desenhada do filho da puta, além de marcar as polpas, as ancas e tudo aquilo a que ele tinha o direito. Aquele era, em sua concepção, seu viado. O homem responsável por saciar sua tara e vontade de foder, que podemos dizer que nunca foi muito pequena, ainda mais no meio da formação militar. Era quando menos podia que o Caçula mais queria, até azar parecia.

- Saco! - Renan reclamou do presente.

Havia sido pego sem muito disfarce por outro superior. Tudo porque chegou na sala de armários e encontrou o sargento Ângelo e Samuel com aquele semblante de quem tinham aprontado alguma coisa, pra não falar daquela pessoa estranha e totalmente aleatória entre eles, com o olhar incrédulo de quem não estava acreditando em qualquer coisa que tenha visto, distante e ao mesmo tempo próximo, bastante impactado. Renan sentiu o pé esquerdo refletindo o impacto pesado do sustento de tantos músculos e isso o deixou ainda mais puto, como se o esporro não fosse suficiente. Que tipo de marinheiro se deixava ser pego quase que no flagra por outro superior? Logo ele, o último lugar na prova, que passou e por isso tinha um orgulho a manter, apesar da libido sempre elevada e querendo ultrapassar os limites sustentáveis do pudor! Coisa boa não poderia estar por vir, ele sabia muito bem disso. Até tentou fingir que não, mas foi impossível.

Renan Caçula tentou desfazer a rotina usual com cautela, como se aquilo pudesse garantir um final de dia tranquilo. Ele tomou banho sem pressa e zoando com os outros moleques como normalmente, além de ter caminhado por todo o percurso em direção ao apartamento como usualmente, não fosse pelo horário de saída, agora próximo do noturno. Nada era desafio para um molecote de praticamente 19 anos e crescendo, latejando sempre por mais. Filho de uma geração precoce e SEM limites. Bom, sem a maioria deles, pelo menos. Porque, no fundo, no fundo, ele tentou não desconfiar daquele ponto final. E já que se forçou a não desconfiar, algo já dizia que poderia não acabar bem. Saiu do quartel e, mais ou menos na segunda esquina, perto do horário das oito da noite, deparou-se com um veículo cor de prata que insistiu em segui-lo por pelo menos duas quadras adiante. Malandro que só, Renan se sentiu acuado e optou por desviar por um beco disponível apenas aos pedestres, ficando com a sensação de que escapou por pouco de alguma armadilha ou possível assalto. Deu a volta pela enorme praça do relógio, passou pelo ponto de ônibus e, mesmo no clima ameno do sul, ofegou por tamanho esforço necessário. Aquilo até que serviu para distrair sua mente por um breve momento, porém não foi cansativo. Suado e com a blusa jogada no ombro, ele subiu pelas escadas do prédio como estava acostumado a fazer. Quando chegou à porta do apartamento, escutou a voz do irmão mais velho dizendo palavras num tom alto. Até que tentou escapar.

- Que merda você pensa da vida, Samuel?

Ele abriu a porta e deu de cara com o amigo recruta sentado no sofá grande da sala de Tiago. Pequeno por conta da vergonha recém descoberta, talvez pelo sermão sendo dado pelo superior diante de si e agora por sua presença repentina na ocasião. O Caçula se fez presente e o mais velho não o poupou também.

- Ainda bem que você chegou, seu palhaço!

"Mais tempo do que esperei!", ele pensou antes de seguir escutando contra a própria vontade. A boina da marinha virada para frente, numa tentativa quase que perfeita de tentar esconder os olhos de culpa pelo que fez. Adolescente cheio de hormônios, o saco pesado de leitinho para ser jogado fora, e ali estava ele, quase 19 anos e tendo que tomar esporro por aquele tipo de coisa.

- Já pensaram se aquele sargento decide caguetar vocês dois? Como é que eu fico, Renan?

Tiago cruzou os braços fortes na altura do peitoral e observou os aspiras com total tom de seriedade. Queria uma resposta, do contrário, aquela pausa constrangedora e culpada perduraria por mais alguns minutos.

- Aquele oficial é um cuzão! - Renan optou pelo orgulho incompreendido e atacado, não vendo outra saída além de ficar em silêncio.

Isso o fez levar um pescotapa no canto da orelha.

- Fica atento, seu moleque! Acabou de passar na prova e não tá ligado como funciona, né? Deixa eu te explicar melhor, Renan: aquele é um sargento cuzão, mas é um cuzão que tem vocês dois na palma da mão! Ele não tá nem aí pra quem você é, seu palhaço! Qualquer vacilo teu e todo mundo vai saber que tu come o Samuel noite e dia dentro daquele quartel, é isso que vocês querem!?

Só então o irmão mais velho fez uma pausa, mas não durou muito. Gesticulou na direção do nerd bundudo e prosseguiu sem dó.

- E já vai ser a terceira queixa, Samuel! Será que você não aprende mesmo, caralho!? Já não basta ficar acobertando essas putarias secretas de vocês, agora tu vai dar uma de viciado pra cima de mim? Se decide, porra!

Tiago teve que sentar na poltrona e passar o antebraço na testa pra enxugar o suor de exaustão. Impaciente que só, logo ficou de pé outra vez e começou a andar de um lado pro outro, ainda diante dos dois aspiras parados lado a lado, um sentado ao sofá e outro de pé, com a boina cobrindo a parte superior do rosto. Ele fez questão de tirar o boné de Renan e o encarou olho no olho.

- Eu não tô nem aí se vocês não ligam pra carreira de vocês, mas eu tenho a minha! Não admito sujar meu nome por pirralhos inconsequentes que nem vocês! E isso vale pra TODO MUNDO! - ele fez questão de aumentar o tom de voz. - Acho bom ficarem LONGE daquele sargento Ângelo! Não quero problemas com ele, tão me ouvindo bem?

Era chato, todos sabiam disso, porém era a única maneira cabível na mente de Tiago para fixar aquelas ideias na cabeça dos fedelhos imprestáveis. A nova geração estava mesmo perdida, como diria Adriano, o pai dos marinheiros. Renan não teve pra onde fugir. Soube que qualquer coisa dita faria o mais velho tornar a voltar naquele mesmo argumento, então abaixou a cabeça e, mesmo desgostoso por dentro, virou de costas antes de responder.

- Não vai acontecer de novo, mais velho!

Começou a andar na direção do próprio quarto bem seguro de si, disposto a não cometer o mesmo erro novamente. Com uma perna por cima da poltrona e ainda sentado na sala, Tiago, o dono do apartamento, consentiu com aquela aceitação por parte do Caçula e voltou a dizer ao outro aspira diante de si.

- E você, seu putinho! Não quero te pegar outra vez com energético dentro do batalhão, tá me escutando!?

Samuel achou que fosse uma precaução leve e optou pelo de sempre: apelar sexualmente. Já tinha alguma intimidade com o tenente depois das vezes em que meteram juntos, então colocou a mão na coxa peluda dele e sorriu.

- Desculpa, chefe! - debochou.

Empinou o corpo todo no chão. O tenente o observou e seguiu implacável.

- Toda e qualquer putaria não será tolerada, recruta. Não adianta tagarelar! - ele repetiu o jargão do batalhão, aquela frase que todo mundo conhecia de cor. - Um tomando energético e outro não podendo ver rabo, tão que nem adolescentes cheios de hormônios! Vocês tão parecendo dois viciados!

Renan entrou em seu quarto e, curioso que só pela continuidade daquela discussão, permaneceu atento a qualquer sinal de informações pelas quais pudesse descobrir, para entender até que ponto o pessoal já sabia do ocorrido dentro do quartel. "Três advertências? O que esse putinho tá aprontando?", pensou.

- A sorte de vocês é que o sargento é meu amigo! Mais uma dessas e os dois TÃO EXPULSOS, ouviram bem!? Eu quero você LONGE do sargento Ângelo, Samuel! Não sei o que vocês aprontaram juntos, mas já tô de saco cheio disso! Estamos conversados?

Na sala, se preparando para levantar, o aspira colocou a mochila nas costas e se desculpou da mesma maneira como fizera o irmão mais novo do dono da casa.

- Foi mal, chefe! Vou andar na linha!

- É melhor mesmo, Samuel! Mais uma dessas e tu tá fora! Prestou atenção!?

Ele fez que sim com a cabeça e, olhando pro chão, esperou pelo que fazer em seguida. Tiago, o tenente, apontou em direção à porta do apartamento e berrou.

- Rala!

Renan, ainda por trás da porta do quarto, escutou o barulho do amigo indo embora e pensou na advertência que havia acabado de ouvir por parte do irmão. De alguma forma, ele queria que ambos ficassem longe do sargento Ângelo, principalmente Samuel, por qualquer razão que fosse. As palavras soaram como que no presente no fundo da mente. "Não sei o que vocês aprontaram juntos, mas já tô de saco cheio disso!". O que será que o viado abusado andou aprontando? Ele sabia que havia tramado algo, porém não tinha noção de quem estaria envolvido e de como o irmão mais velho percebeu aquilo. Contou alguns minutos após a partida de Samuel, abriu a porta do quarto e foi em direção à saída.

- Ouviu bem, né, fedelho? Presta atenção! - Tiago percebeu que o Caçula estava prestes a sair.

Ele fez que sim com a cabeça e, assim que saiu pela porta, deu um único passo largo e enorme em direção ao hall dos elevadores. Só queria encontrar o amigo que acabou de sair e arrancar dele as devidas respostas sobre o porquê de seu nome estar naquela bagunça. Ambos estavam no térreo, então Renan lembrou-se das escadas e, a mil por hora, disparou andar por andar na intenção de ainda encontrar quem tanto procurava pelo caminho. Enquanto isso, a cabeça dando centenas de voltas ao redor de inúmeros pensamentos diversos. Uma bagunça sem respostas!

- "O que caralhos esse viado fez e por que eu tenho que tomar esporro por ele!?"

O ego inflamado procurando explicações a todo custo, o corpo pegando fogo e buscando quem poderia respondê-las.

- "Tudo bem que a gente vacilou por estar metendo no quartel.. Mas o que eu fiz pro sargento Ângelo?" - tentou entender.

Alguma coisa não estava correta, Renan então parou de correr escadas abaixo quando percebeu aquela sombra diante de si, sendo refletida pela lâmpada existente entre o segundo e o terceiro andar mais à frente. Fez silêncio e, devagar, foi chegando o corpo pro lado para poder ver quem era aquela pessoa pouco mais adiante, até que, do outro lado, contra si, o rosto do recruta nerd surgiu, como quem tivesse sido pego no flagra. Ele deu o último gole na lata de energético que estava tomando, percebeu a cara de irado de Renan e, sem perder mais tempo, pulou um lance inteiro de escadas num único segundo, no sentido do térreo, correndo com a maior velocidade possível para fugir daquele moleque abusado. Pronto, os dois viciados, como definiu o tenente Tiago, começaram a perseguir e fugir um do outro ao mesmo tempo. Samuel foi mais rápido e, assim que chegou na calçada, foi se metendo entre os carros para dificultar o caminho de Renan. O Caçula, por sua vez, se manteve correndo apressado e pensando ao mesmo tempo.

- PARA, SAMUEL! PARA! - gritou.

Mas não obteve qualquer resposta plausível.

- "O Tiago mandou ficar longe do sargento como se ele fosse perigoso, ainda teve aquela porra daquele carro me seguindo.. Que merda!" - a preocupação acelerou os passos do cafuçu marrento, sem que ele sequer soubesse que, naquele momento, um outro macho bruto estava solto pela cidade, à procura de adrenalina. Um fugindo, outro perseguindo e o terceiro querendo um pouco de ação para se acalmar. Qual a probabilidade dos dois viciados baterem contra um raivoso? Quais as chances do choque numa mesma pequena cidadezinha do sul?

O contato aconteceu: Renan sentiu o aspira reduzir a velocidade e, no meio da noite, meteu a mão na nuca do rabudo correndo pela rua, fazendo com que parasse completamente os movimentos voltados para a fuga, a distância. Agora estavam em contato outra vez, então o objetivo foi alcançado. Viria a parte das perguntas e explicações.

- Seu puto! Arfh! Arfh!

Os dois ofegando bastante por conta da baixa temperatura e de todo aquele exercício desnecessariamente longo. Caçula percebeu que o amigo não conseguiu falar e estava pálido de susto, os olhos arregalados e o coração batendo mais do que tudo, como se fosse sair garganta a fora.

- Tá com medo de mim, Samuel? Tu fez merda, né, seu puto? Eu aposto!

Conduziu os passos e ritmo de andar do recruta e foram andando juntos, lado a lado, de volta em direção ao prédio onde Tiago morava e Renan dormia. O mesmo lugar do qual fugiram em disparada minutos atrás.

- Não adianta correr, a gente vai ter uma conversinha!

Em poucos minutos, estavam na escada de incêndio do condomínio, ainda com a respiração pesada e os vapores quentes contrastando com o ar frio de fora dos pulmões. O aspira mais novo sentou-se num dos degraus e levou as mãos à cabeça como se precisasse de espaço para tomar ainda mais ar, morto de cansado.

- O que você quer, Caçula? - perguntou um Samuel acuado, mas não menos petulante ou ousado no tom de voz.

- O que eu quero, aspira? Tu ainda pergunta, seu viado cara de pau!? - cruzou os braços diante do peitoral e encarou o amigo de farda com aquele jeito de quem espera por boas explicações. - Quero saber por que eu tomei esporro junto contigo, é simples!

O mais novo disfarçou e tentou tangenciar.

- Até parece que você esqueceu que a gente foi pego fodendo, Renan! Não é difícil de adivinhar, é? - ironizou.

O não muito mais velho dentro eles chegou lentamente para frente. Não era acostumado a conversar muito, os impulsos de moleque marrento e egocêntrico sempre acabavam falando mais alto e por isso ele preferia resolver no físico, com bastante suor e atrito, cuspe, gosto de foda bruta e bem feita entre machos que sabem bem o que querem, do que precisam e como fazer para obter. Entre outras palavras, a linguagem do Caçula mais truculento da família era majoritariamente sexual, para não dizer dominadora e impositiva, taxativa. Ele encarou Samuel nos olhos, fazendo questão de puxá-lo pelo queixo em sua direção. Sem mais delongas e enrolação.

- Tu entendeu o papo, aspira! Meu irmão mandou a gente ficar longe do sargento Ângelo, sendo que eu nem tenho nada a ver com ele! Ou seja, foi TU quem aprontou alguma coisa e agora tá sujando pra mim! - apontou o dedo no meio da fuça do amigo e exigiu uma resposta melhor do que qualquer tentativa de fuga, ao mesmo tempo em que o puxou pelos cabelos com os dedos fincados no crânio. - Abre o bico, viado, deixa de bancar o sonso!

O nerd pensou um pouco, foi retomando o fôlego ao normal e, lentamente, colocou o mesmo sorrisinho de lolito na cara, preparado para apelar como sempre fazia.

- Eu não falei de você pra ninguém, Caçula! O tenente tava dando esporro em mim pelos meus vacilos recentes, só isso!

Mordeu o lábio inferior e, dissimulado e torto que só, chegou os ombros para frente, ficando com a boca na altura da virilha de Renan. Aí tornou a olhá-lo apenas com os olhos virados para cima, pondo-se outra vez naquele tom de ironia e submissão.

- Mas é bom saber que você tá preocupadinho comigo! Afinal de contas, eu sou o viado do Caçula, não sou?

Ele sabia dizer tudo que o moleque egocêntrico queria escutar, não teve jeito. Renan sentiu o tesão de sempre começando a reagir no corpo, tudo por conta de um viado preparado para abocanhá-lo, já entrando naquela deliciosa posição de engasgamento proposital e devasso, com direito ao saco batendo nos lábios e a tora pedindo pra rasgar a boca. Cheiro de pentelho que só, porém, no presente, nada além do clima de putaria estava rolando. Os dois se olhando, um querendo o outro, quando na verdade um deles só tentou fugir de qualquer explicação. Mas o sexo, ah, o sexo! Como negá-lo estando diante daquela situação não planejada e incalculável, que começou com uma fuga no meio da rua e agora terminaria no meio da putaria inevitável?

- Eu não tô preocupadinho com ninguém, Samuel! Por que o Tiago tava te dando tanto esporro? Alguma coisa tu aprontou com o sargento, para de querer mentir pra mentiroso, rapá!

O nerd rabudo começou a rir bem extrovertido, deixando o amigo um pouco puto pela falta de atenção e respeito. Renan então sentou-se alguns degraus acima, com ele entre as pernas, e começou a remover um dos sapatos ainda no pé àquela altura da noite.

- Tu gosta de rir, né? Vou te dar um bom motivo pra rir, seu putinho!

Antes que Samuel pudesse reagir ou até mesmo pensar no que viria a seguir, a próxima coisa que sentiu foi a boca quente sendo engolida por uma sola deliciosa e enorme de um pezão de macho crescido e cada vez mais feito, perto do molde final do corpo de adulto. Era quase 44 de tanta base para sustentar uma corpulência grossa e taluda de moleque marrento e abusado que só, e todos aqueles dedos acabaram entrando juntos através da língua do aspira submisso.

- SSSS, isso, assim que eu gosto de te ver! Putinho do cacete!

Olhou pra baixo e se deparou com a visão do abusado sendo praticamente pisado na cara. Mexeu o pé de um lado pro outro e foi sentindo a língua úmida e babada deslizando pelas plantas de sustentação do peso, enquanto Samuel foi se adaptando com o gostinho doce e ao mesmo tempo salgado em algumas partes, tudo proveniente da pura testosterona de Renan.

- Já que tu não tá afim de abrir a boca, ao menos vai ser por uma boa causa! Primeiro eu vou encher ela de pé, pra tu sentir o gosto dos lugares onde eu piso. É justo prum viado que não quer me contar por onde anda, tu não acha, Samuel?

O rabudo nunca tinha visto um Caçula tão solto e desinibido assim. Alguma coisa realmente estava incomodando o irmão mais novo do tenente Tiago, então o aspira bundudo soube que estava fazendo certo, independente do que estivesse planejando ou já havia feito. Afinal de contas, que semblante felino e gatuno era aquele? Era tudo que Renan mais queria saber, talvez por isso tenha optado por simplesmente desfazê-lo, assim não precisaria de ficar questionando aquilo que sabia que o outro não responderia.

- Que pé delicioso, Caçula! Por que você nunca me tratou assim antes?

Samuel sentiu a cara sendo espalmada por toda a sola babada e o gosto agridoce dominou a boca outra vez. O rosto suado e novamente ofegante foi ficando avermelhado de afobação e tesão misturados, além do fato dele estar torto nos degraus abaixo de seu cafuçu mestre, só para dá-lo ainda mais impressão de servidão e obediência que entendeu que ele queria. Qualquer coisa poderia ser alcançada através do sexo, por que não? Alguém tinha que parar Samuel para mostrá-lo que nem tudo poderia ser daquele jeito, porém quem faria isso, se o próprio Caçula, que era seu amigo mais íntimo, estava mais uma vez hipnotizado pelos encantos do aspira da raba enorme?

- Porque eu tava ligado que tu era piranha, só não sabia que era tão suja assim!

O rabudo foi puxado pelo cabelo e ficou cara a cara com Renan, que estava sério e no auge de sua vontade de dominar e subjugar. Ele quis sentir o cheiro do próprio pé saindo do hálito ofegante de Samuel, que foi o que fez antes de quebrar os limites do que achou necessário. "Se esse puto quer brincar comigo, então vamo brincar!", pensou alto.

- Abre a boquinha, abre? - pediu.

Mas antes de ser atentido, já estava prendendo as mãos ao redor do rosto dele, pelo queixo, usando ambos os polegares para impor a própria vontade ante ao corpo do jovem aspira. Ele abriria a boca querendo ou não, por isso preferiu obedecer e se submeter à vontade esmagadora e quente de Renan, que estava numa forma nunca vista antes. A melanina em seu corpo pareceu carvão queimando após o ápice da brasa, quando você pensa que já apagou e corre o risco de acabar se queimando ao tentar tocar. Uma fogueira de desejo por carne, não importa onde. Era quando menos podia que o Caçula mais queria.

- Eu não te falei que tu era um viado sujo? Olha o que eu faço com viadinho que nem tu!

Carregou a cusparada e disparou na língua do mais novo, que sorriu em devassidão, realizado por ser tratado como bem queria. Ao redor, só os barulhos dos elevadores passando na coluna lateral de onde estavam, nas escadas de incêndio do último andar do prédio, que era onde quase ninguém ia, ao menos nas concepções do Caçula.

- Ajoelha, Samuel! - ele deu a primeira ordem por trás do ouvido do colega de farda.

O mais novo se entortou todo, sentindo o cuzinho latejar e dar as piscadas de tesão por ter que ouvir aquilo. O cafuçu colou por trás e, ambos de pé, um começou a sarrar no outro.

- Aqui não, Renan! O teu irmão já falou tanta coisa e-

- Shhh, cala a boca, porra! - ar quente na nuca, queixo no ombro, tudo deslizando pelo suor. - Ssss!

Caçula usou a mão para impedir que o outro falasse qualquer coisa e imprensou o corpo no dele, atolando o caralho entre as nádegas fartas do nerd abusado e arrebitado, com lombo de quem tava afim de curra, não importa onde.

- Tu só vai abrir essa boca se for pra dizer sim, tá me escutando? - praticamente grunhiu por trás da orelha do mais novo.

O aspira hesitou um pouco, só que a caralha impiedosa ameaçou atravessar o anel elástico e dar início à cruza animalesca que só eles sabiam como fazer, então acabou optando por responder que sim com a cabeça, já que a boca estava tapada pelos dedos grossos e salgados de Renan. Até as unhas tinham um formato másculo e bruto, ainda que bem cuidadas.

- Vamo fudê, vamo? - o Caçula relembrou do dia da formação, quando quis foder no meio da marcha matinal dos aprendizes de marinheiro.

Naquele dia, ele não se conteve por conta de duas razões: o tesão matinal, pois não havia mijado quando levantou da cama, e a bunda enorme de Samuel, o cuzinho comendo a calça branca, com direito a jockstrap marcada e tudo mais. "Que viadinho filho da puta!". Ele até lembrou de alguém que já fez algo assim por ele antes!

- Uhnnff! - o aspira não conseguiu responder com a mão o impedindo.

Renan então prosseguiu, empurrando o quadril contra o lombo impávido do novinho, na intenção de começar a conectar a cabeça da caralha com a textura enrugadinha, apertada e quente do cuzinho roliço do recruta.

- Tu quer fudê comigo aqui, num quer? Diz se não quer! - tornou a grunhir que nem animal por trás da orelha do amigo.

Corpos colados e suando em conjunto, um escorrendo no outro, piru entrando devagar, de tão acostumados com a rotina sexualmente explícita e arriscada de acabarem sendo pegos outra vez. Primeiro no batalhão, agora no prédio do irmão mais velho. Caçula colocou a piroca por cima do cóccix empinado do colega e deixou agora que as bolas volumosas e peludas roçassem livremente na entrada da rabiola piscante. Ficou numa relada tão gostosa que acabou soltando um pouco de baba da cabeça da ferramenta preta e inchada, além de babona, com as bordas em cor lilás, de tão envergada que tava começando a ficar naquela sarração. As preliminares são muito importantes, eles sabiam disso.

- SsssS!

Até que Renan desfez tudo, queria ver as coisas por uma outra perspectiva.

- Vem aqui, vem! Se não vou acabar te tacando piroca aqui mermo, seu filho da puta!

A pressão nos ombros de Samuel fizeram com que ele se abaixasse de joelhos ao chão, ficando entre as pernas peludas e rígidas do grosso Renan Caçula. Entre eles, uma senhora piroca balançando de um lado pro outro, largando aquela ponte espessa e translúcida de baba morna, resultado do tanto de tesão que um molecote marrento, dominador e cafuçu pode segurar por um determinado período de tempo. Próximo dos 19 anos, a tora era grande e grossa, como se tivesse sido encomendada em dimensões muito maiores do que se vê comumente por aí. O irmão mais novo do tenente Tiago não era circuncidado, porém, com toda aquela ereção, foi muito difícil o couro grosso e preto da piroca inchada não recuar e deixar a cabeçorra roxa brilhar e reluzir, toda babada e pulsando pra cima, torta para a direita e enristada, parecendo um taco balançando no ar. Samuel ficou hipnotizado como se aquela fosse a primeira mamada em Renan, talvez por estar presenciando um novo nível de dominação e submissão ante ao Caçula. Ele sentiu a cabeça sendo controlada por apenas uma mão rígida e ditadora, olhou para cima pelos pentelhos abaixo do umbigo do parceiro e continuou subindo, até ver os olhos impacientes e cheios de desejos incontroláveis.

- Se tu não vai começar, deixa que eu te ajudo!

Sem delongas. o mais velho virou o rosto do aspira de lado, segurou-lhe com os dedos tapando as narinas e entrou com tudo com a piroca na boca dele, que tentou reagir e fechar, mas foi tarde demais. A língua relutante só fez aumentar o atrito das papilas roçando contra a glande. Roxa, com aquele cheiro fodido de pentelhos e macho exalando firme, cabeçuda, veiuda e grossa, grande, talvez uns 21 centímetros por bastante de espessura. Uma linda de uma verga, se perguntassem! Bateu nas amídalas e voltou esfregando pela parte interna das bochechas de Samuel, como se estivesse contribuindo para a higiene bucal do mesmo. Esse contato quente e naturalmente lubrificado deixou o Caçula arrepiado.

- SSSSSS! Isso, caralho! É disso que eu gosto, porra!

Ele ainda desceu alguns poucos degraus para ficar na altura ideal do rosto do colega, muito embora tenha mantido uma das pernas apoiada no de cima, como forma de cercá-lo e dominá-lo ainda mais com o corpo armado e todo rígido. Renan era o tipo de macho que deixava seu cheiro em tudo, até o suor fervente escorrendo por entre os pelos do corpo duro tinha o próprio odor agridoce, ora salgado, ora doce, ou talvez isso era somente nos pés.

- Bota a língua pra fora, bota, Samuel! Mostra pra mim o quanto tu gosta disso aqui, ó!

Sacudiu a rola toda babada bem na cara do aspira e fez questão de bater com ela em todos os lados do rosto, arrancando o barulho de porrada molhada de algo bem massudo e quiludo, pesado. Renan ainda usou a mão para pegar o sacão e estufá-lo na língua de quem considerou seu viado de estimação, obrigando-o a lamber cada uma das bolas volumosas e carregadas de leitinho quente, bastante peludas. Um cheiro DELICIOSO de testosterona crescendo, bem jovem, emergente, ascendente. A plena ascensão do mavambo. Aquele esperma com certeza não poderia ficar muito tempo parado, deveria estar sempre rodando, circulando, sendo trocado, talvez por isso eles estivessem ali, cruzando pela segunda vez no mesmo dia, apesar das advertências sobre esse comportamento explícito. Caçula fez Samuel lamber toda o comprimento da caceta, indo dos ovos à cabeça, em seguida tornou a foder a boca dele com vontade, mexendo apenas o quadril e contraindo as próprias nádegas, de tão concentrado ficou naquela meteção e fodeção de garganta.

- Ssssss! Filho da puta!

Ele nem fez questão de disfarçar a objetificação, parou de meter e largou outra vez a tora pra cair sobre o rosto suado e vermelho do colega de farda.

- Putinho, aposto que tá até cansado depois dessa surra de pica!

Samuel não se fez de rogado. Mesmo ajoelhado e todo ensopado de tesão, fez aqueles olhos de cigano oblíquo e dissimulado, olhos de ressaca de quem é felino e ofídio ao mesmo tempo, gatuno e cobra, incapaz de submeter-se de forma exclusivamente passiva. O verdadeiro viado participa, interage.

- Isso não foi nada comparado ao que o sargento Ângelo fez comigo, Caçula! Hahaha!

Ainda deu o risinho de deboche. Renan se viu AFRONTADO. Retomou o equilíbrio, fincou as mãos pelo cabelo do puto como se quisesse mesmo arrancá-los pela raiz, ajeitou o ângulo do quadril e largou a pressão com tudo boca a dentro. O mais novo sentiu a cabeça atravessando a língua, tomando espaço entre as amídalas e batendo lá no final da garganta como se fosse um pêndulo.

- "BLEM!" - quase um "bingo!".

Caçula acertou na loteria do prazer. A superfície lisa e rígida da cabeça da vara brincou de escorregar insistentemente na curva da goela do recruta, bem pertinho de onde o mijo sai, naquele ponto tão sensível que parece que qualquer atrito dá um prazer imenso. Os pés de Renan quase saíram do chão, na ponta dos dedos, além do rosto forçado a virar para cima, assim como os olhos. O calor subiu e passou por cada pelo das coxas, chegando ao saco e deixando tudo arrepiado. Ele sentiu um tesão fora do normal, como se a qualquer momento fosse capaz de encher a cara do outro de porra, apesar de ainda querer fodê-lo. Ser comparado com o sargento Ângelo fez dele um quadril arrogante, cintura ignorante, que recuou no impulso, preparou a segunda estocada e..:

- "BLEM!"

Na mosca outra vez, sendo que agora Samuel ameaçou engasgar, tossindo e precisando de tempo.

- Hmmmmm! Engole, caralho! Fffff!

Só que o cafuçu marrento não quis espaço e nem enrolação, então permaneceu em contato com o fundo da boca do viado, ainda aproveitou para foder um pouquinho naquele pouco espaço quente e todo babado, meio áspero por conta da língua. Por falar em língua, Renan tava tão montado na cara do parceiro que as bolas estavam mesmo entrando na boca, já em pleno contato com as papilas gustativas do garoto.

- SSSS! O sargentinho fez isso contigo também, seu piranho? Ele te deu piroca grande e grossa que nem eu tô te dando, viado!?

Suando e ofegando, levantou a mão e aplicou o primeiro tapa insolente no rosto do recruta, só que foi aquele tapa que bate e continua em contato, para deixá-lo ciente de que era mero objeto na mão de alguém muito afim de brincar, já nascido disposto para qualquer putaria. Sem tempo ruim.

- Ghhhh! - foi tudo que o mais novo conseguiu responder.

Outra vez o cabelo foi puxado e, de maldade, Caçula curvou o corpo por cima do crânio de Samuel, obrigando o rabudo e engolir a caralha por inteira, sem opção, algo que ele até conseguiu fazer facilmente no começo. Mas foi só sentir que o nariz colou na virilha pentelhuda do cafuçu que o nerd abusado percebeu que ele não recuaria tão rápido. Os ovos bombardeando seus lábios com estocadas, a garganta metralhada por cabeçada e baba de piroca por todo lado, uma vontade mais do que enorme de tossir, vomitar e engasgar ao mesmo tempo. Cheiro de macho em sua maior e melhor forma, em pelos, testosterona, pré-porra e suor! Samuel aproveitou a posição e deu uma joelhada certeira no pé esquerdo do Caçula, na intenção de abrir espaço para voltar a espirrar.

- Ué, piranho! Pensei que tu fosse viado! - Renan começou a rir em deboche, tirando sarro das habilidades alheias.

- Eu sou, você que tá me subestimando!

Cruzou os braços na altura do peitoral, balançou a caceta arrogante e roxa de um lado pro outro e permaneceu encarando o nerd submisso diante de si.

- Não foi isso que o sargento Ângelo fez contigo, seu puto?

Um ego ferido nunca fica escondido por muito tempo. Ser comparado com qualquer pessoa era uma ofensa ao cafuçu marrento de 18, quase 19 anos, ainda mais quando essa comparação vem de alguém que, em sua visão, deveria apenas servi-lo, estar presente quando quisesse. Os sentimentos, as consequências, tudo isso poderia vir depois do sexo, só que Caçula tinha a própria linguagem para resolver as coisas, talvez por isso tenha detestado aquela comparação bem no meio de toda a putaria. E, de tão furioso, estava ultrapassando os próprios limites da dominação e submissão. Samuel não ajudou. Ele entendeu o perigo e optou pela malícia: queria mesmo brincar!

- O sargento me comeu na marra bem debaixo do chuveiro, Caçula! - começou a contar. - Primeiro ele me deu esporro por pegar a gente transando naquela vez, se lembra?

Renan não quis detalhes, então reagiu rapidamente e puxou o nerd sorridente pelo braço, colocando-o de pé e escorado no canto final da escada, todo imprensado no encontro das paredes. Atolou outra vez o caralho grosso entre as nádegas imensas, porém o putinho continuou falando como se nada fosse suficiente para fazê-lo parar.

- Aí me levou pra tomar banho e não resistiu quando eu abaixei pra pegar o sabonete que caiu. Sabe como é, né? Vida de quartel!

A cabeça então foi abaixada à força pela mão imponente do cafuçu, que só fez questão de segurá-lo pela cintura e empurrar o ventre ereto contra o anelzinho de couro inchado e liso. Lubrificada pelo boquete, a cabeça passou mais ou menos até à metade, que foi quando ficou parcialmente atolada entre as pregas piscantes do aspira, arrancando dele gemidos salientes.

- SssssS!

Em pouquíssimos segundos, os vários centímetros de piru foram sendo depositados ao longo do lombo empinado e volumoso do recruta nerd, tudo no pelo e no couro, sem camisinha, apenas a baba da mamação servindo como lubrificante para o depósito.

- Esse cuzinho não fica largo mesmo, ein! Que delícia! Sssss!

- E olha que o sargento é mais pirocudo que você, Caçula!

Renan não resistiu, tapou a boca dele e empurrou o restante da pica no cu do abusado, arrancando gemidos à força, calados pela mão tão impiedosa e salgada quanto o quadril prepotente. De pé mesmo, começou a foder numa envergadura ereta e empinada de ambos os corpos, o que acabou aumentando o atrito, por causa do ângulo no qual a tora tava sendo aplicada no buraco apertado. Foi nesse instante que o cafuçu percebeu que a foda mal havia começado e ficou fácil como se fosse um simples treino. Mesmo a rola toda lubrificada, algo de novo estava presente. O cu mais quente que o normal, escorregadio por dentro e meio cremoso, num sentido ainda mais delicioso do prazer.

- Eu conheço essa rabiola de cabo a rabo, Samuel!

Deu-lhe o primeiro tapa firme no lombo e retirou a ferramenta. Pra confirmar a suspeita, a cabeça ainda trouxe consigo alguns filetes de uma porra esbranquiçada e menos grossa, pouco mais líquida, que estava ali antes dele chegar. Renan soube muito bem o significado daquilo.

- Então sei muito bem que alguém andou passando por aqui!

Deu outro tapa forte na carne avermelhada do rabudo, só que agora, de raiva, ficou com a mão e fincou os dedos com bastante força, para deixá-lo ainda mais marcado de desejo e vontade, tal qual um gado sendo queimado pelo ferro. E que ferro! A boca do molecote abusado veio por trás da orelha de Samuel.

- Andou trepando com o Tiago, né? Pode falar, viado! Tu não teve tanto tempo pra limpar esse leite do cu, fora que eu já vi essa porra antes e sei que é do meu irmão!

Samuel não teve como negar, riu safadamente e sentiu a penetração continuar, mesmo no meio daquela pausa para reclamação. Um irmão mais novo aproveitando a lubrificação proporcionada pelo esperma do mais velho, tudo isso acontecendo num mesmo rabo de um único viado. As pregas inchadas piscaram involuntariamente, de tão entregue que o aspira nerd ficou com aquela sensação maravilhosamente luxuosa. Mera vaidade do ser, em sua forma mais pura e lúcida, fora de qualquer proporção. Um pai teve que comer uma mãe várias vezes para gerar dois filhos e criá-los. Vários anos se passaram até que o leite desses filhos já adultos pudessem colidir no mesmo corpo, nas mesmas vísceras e entranhas. "Se eu fosse mulher, de quem seria o filho?", Samuel era.. Samuel!

- Teu irmão tem o teu sangue, né, Caçula? São iguais ao pai de vocês, não tem jeito!

Renan tornou a abaixar a cabeça do aspira no canto entre as paredes, ainda caiu com a boca na nuca dele e começou a morder com vontade, grunhindo obscenidades enquanto se mantinha fodendo que nem bicho. As mãos curiosas pararam então com os mamilos intumescidos entre os dedos pouco calejados e grossos.

- Cala a boca, porra! Ssss! Piranho do caralho! Nem com uma vara na bunda tu sossega?

Mas era justamente daquele jeito que o novinho ficava solto, sem qualquer pudor. Ele até tentou reagir e foi se virando aos poucos para ficar de frente, só que o molecote dominador não deu tempo. O resultado foi que Samuel ficou de costas para a parede, sendo escorado pela mesma, enquanto Renan cobriu o corpo dele com o próprio, ficando ainda mais delicioso de meter, por conta do quão torta a caceta ficou, a cabeça agora em completo atrito na passagem apertadinha das pregas. As pernas presas ao redor do corpo.

- SSSSSS! Vou rasgar teu cuzinho, Samuel! Tu nunca vai esquecer o que eu vou fazer contigo, seu viado! Ffffff!

O nerd estava quase desfalecido pela troca de posição. Mesmo naquele estado, a próstata foi acertada em cheio e mastigada feito um chiclete por aquela caceta incansável e grossa, arrogante e hiperativa. Foi tanto entra e sai, tanto tira e bota, tanto movimento anal, que o ponto g interno de Samuel se tornou alvo certeiro da glande roxa do cafuçu bruto. De tão aflito, ele cruzou as pernas ao redor de Renan ainda mais forte e começou a arranhá-lo pelas costas, de baixo acima.

- Caralho! Grhhhh!

O Caçula sentiu o cuzinho apertando e foi ficando sem espaço, sendo que a caralha só fez engrossar de tesão, enquanto a próstata persistiu em dançar ao redor do cacetão preto. A pele de trás sendo rasgada, o couro lilás atravessando o anel de carne quente do submisso e nada de um dos dois parar.

- Vou te deixar de um jeito que nem aquele sargentinho vai querer usar! Piranho!

O prazer se fez incontrolável e os dois se imprensaram no canto escuro das escadas do último andar do prédio onde morava o tenente Tiago, irmão mais velho do Caçula.

- SSSSS! Orhhh!

O saco inchado e pesado pareceu dar um giro de tanto poder naquela ejaculação bruta e rústica de macho abusado. Os ovos chegaram a latejar e pulsar no escroto, de tanto trabalho que tiveram em produzir e injetar aquela gala pura e incandescente de cafuçu safado e canalha, dominador desde muito cedo.

- SSSS, caralho, que cuzinho gostoso da porra! - ele continuou rebolando e mandando ver leite no lombo de Samuel, todo torto em seus braços, derretido por completo.

As costas arderam de arranhadas, as pernas bambearam pelo peso do ninfeto sustentado, até que o Caçula voltou a estocar sem nem mesmo ter terminado de gozar, só pelo prazer de ejacular longe com aquele quadril incansável, indo e vindo.

- Hmmmm, delícia!

- Safado! Fffff!

Um ainda se esfregando no outro com o êxtase do momento, o clímax se dissipando em deliciosas e gigantescas ondas de prazer quente e líquido entre ambos. Suor, cheiro de sexo, respiração ofegante, além de mil marcas pelas carnes. Costas arranhadas, músculos relaxados após tantas contrações em prol de prazer, pra não falar do cuzinho leitado e parcialmente larguinho do aspira, que permaneceu calado por alguns minutos, sentindo a boca seca e o corpo todo mole. Colocou-se de pé aos poucos, subiu as calças devagar e foi saindo do controle de Renan. A foda violenta teve seu fim.

- Olha lá por onde tu anda, ein, Samuel! Não quero te pegar nem com aquele sargento e nem com meu nome na boca, já basta meu pau! - avisou, gesticulando com a mão na caceta para retirar da uretra o resto de gala pegajosa e grossa que ficou pelo caminho. - Tu tá ligado?

Limpou o dedo na calça e apontou na cara do recruta.

- Não quero tu arranjando treta com meu nome, seu puto! Papo reto!

Mas Samuel só ignorou, desvencilhando-se das mãos astutas do Caçula, que ainda tinha que se vestir depois daquela brincadeira de falar sério. Prática de sexo selvagem e animalesco, dominação de primeira linha.

O cheiro de putaria ainda tava solto pelo ar, apesar do momento ter chegado ao final. O rabudo com cara lisa de nerd virou para trás antes de descer, mexeu na própria mochila e tirou um energético quente.

- O Tiago tem razão, tu é um viciado mesmo, né!? - Caçula o criticou ao ver aquilo.

O outro ignorou, só virou alguns goles necessários para eliminar a sede inacabável que estava sentindo. A boca foi tomada pelo gosto excessivamente.. DOCE! Tão doce que chegou a se tornar amargo, enjoativo, porém o vício foi mais forte que Samuel. Ele deu as goladas, limpou-se com o antebraço e riu para o amigo de farda.

- Ele tinha razão mesmo. Nós somos dois viciados, lembra? - o tom gatuno de deboche presente como sempre. - Eu em energético, você na minha bunda!

Caçula abotoou a calça e se preparou para começar a se irritar outra vez com aquele deboche gratuito do macho que acabara de comer, cujo rabo estava tomado pelo leite quente e pegajoso que saiu diretamente do meio do saco. Filhos em potencial, não fosse pelo fato de estarem nadando em cu quente e escuro, de pregas ainda mornas pelo recente abatimento.

- Tu é muito convencido, né, viado? Só porque eu te como tá se achando o piranhão!

O novinho riu e desceu o primeiro degrau. Respondeu empinado e sem olhar para trás.

- Teu irmão gosta, teu pai também. Pra não falar do teu sargento, que me arregaçou no banho!

Mais uma vez as escrotas comparações que tanto machucavam o ego. Renan não pensou mais, estava vestido e posicionado exatamente atrás de Samuel. Num puxão de mão, ele tentou agarrá-lo pela alça do casaco, mas o recruta foi mais rápido e pulou por vários degraus de uma vez, dando uma gargalhada pesada por ter escapado ileso daquele bote, mesmo depois de tê-lo provocado.

- Não fica putinho, Caçula! Eu ainda gosto de você! - ele continuou brincando.

- Seu porra!

Renan correu para frente e se preparou para pular exatamente onde o nerd sem papa na línguas estava parado. Quando ia dar o impulso, o corpo travou, começando pelo pé esquerdo. "Merda!". Até o aspira se ligou que alguma coisa havia acontecido, porque o pulo não aconteceu, então ele nem precisou de correr. Pausa, um silêncio sem razão, além de uma dor fora do comum no pé do Caçula.

- Quebrou o pé de moleque? - Samuel perguntou.

- Cala a boca, seu comédia! Não sabe ficar quieto um minuto!? - a veia no pescoço marcou forte, de tanto sangue correndo pelo físico malhado.

Aquela dor não era nova, o cafuçu soube bem disso. Abaixou-se devagar, apertou o calcanhar com os nós dos grossos dedos das duas mãos e localizou a origem daquela sensação de que algo estava deslocado, desencaixado, fora do lugar. Um nervo, um tendão, um músculo, qualquer coisa que fosse, estava doendo e causando um incômodo que poderia ficar pior a qualquer instante, por isso ele preferiu parar e analisar. Mas não foi bem isso que Samuel planejou.

- Tá putinho, tá, Caçula? De repente assim você percebe que não é tão foda quanto acha! E que sempre tem alguém muito melhor do que você!

Aquela afronta desafiou qualquer desconforto físico que Renan poderia sentir. Ele levantou com tudo e desceu os primeiros degraus do andar onde estava, fazendo com que o aspira voltasse a correr em fuga. Quando o novinho pulou outro lance de escadas, Caçula percebeu que não o alcançaria, então fez a mesma coisa e saltou para agarrá-lo.

- SEU PUTO!

Porém foi tudo em vão.

- Humpf! - o cafuçu chegou a dar uma cambalhota pelo chão, de tão sem equilíbrio que caiu. - Arrombado!

Bateu com tudo na lateral do corredor das escadas, mas foi isso que o parou e impediu que continuasse caindo e se machucando, mesmo com o corpo resistente que tinha. Logo abaixo, Samuel só quis se manter seguro, então parou e esperou para ver o que aconteceria dali.

- A próxima vez que eu te pegar, seu filho da puta! Eu vou acabar te machucando! - avisou um Renan tomado de raiva.

- Você me chama pra brincar e depois não aceita a brincadeira? Francamente, Caçula!

Abaixado, o cafuçu fechou a mão e deu um soco no chão. "QUE RAIVA DESSE CUZÃO!", a mente berrou com tudo. O pé esquerdo completamente travado de dor, agora visivelmente inchado e vermelho. O mesmo pé que aguentou o impacto de mais cedo, ao pular do galho no qual estava equilibrado, pensando na vida, lembrando de extremos sexuais e comportamentais que nem aquele ali de minutos atrás. Renan sentiu que, de alguma forma, as coisas negativas estavam acontecendo tanto por sua falta de controle quanto pelo comportamento cada vez mais insolente e terrível de Samuel, um ninfeto de primeira linha, abusado dos pés à cabeça e cercado de pequenas intrigas.

- Você tem que aprender o seguinte, recruta.. - o lolito foi falando e debochando.

Parou só pra tomar um gole do energético.

- Se você é um machinho marrento e sabichão, então prazer! Eu sou um viado abusado e mais esperto que você, e que ainda vai pegar todo mundo que você conhece naquele batalhão!

Caçula deu outro soco no chão, ao lado do pé inchado, e percebeu que tentar se levantar seria pior. O mesmo pé que tomou uma joelhada do aspira minutos atrás, trazendo à tona um pouco daquela mesma dor anterior. Travado, imóvel, com raiva e sem qualquer reação, apenas escutando as intermináveis afrontas verbais.

- Já comecei pelos que você conhece! - parou, fez uma pose de risonho e sorriu como uma verdadeira cobra. - Pode me chamar de sabichona, Caçula!

Ele ficou rindo sozinho, enquanto o irmão mais novo do tenente Tiago fechou os olhos e se concentrou em permanecer quieto, ciente de que qualquer acerto de contas só poderia acontecer depois que cuidasse do próprio pé. O silêncio no ambiente aumentou, durou alguns minutos, até que Renan abriu novamente os olhos e percebeu que estava sozinho, o aspira havia sumido. Pelo menos aparentemente, tinha ido embora. Devagar, ele se apoiou na parede lateral e foi tentando se escorar, lembrando-se imediatamente de que os jogos das forças armadas estavam próximos.

- "Merda! Merda, merda, merda, merda! Que saco!" - a mente xingou alto. - "Como isso foi acontecer!?"

Deu o primeiro passo extremamente torto e limitado, desceu alguns degraus usando apenas a sola grossa do pé e caminhou pedaço por pedaço até o hall do próximo andar, no sentido de retornar ao apartamento de sempre. O saco vazio, mas uma dor e um inchaço atenuantes naquela parte do corpo, para não falar dos arranhões ardendo nas costas e a mente perturbada por algumas poucas preocupações: um superior pegando ele e Samuel no flagra em pleno batalhão; um carro desconhecido o acompanhando depois do trabalho; o comportamento devasso e piranho do outro aspira; além dos problemas que o mesmo estava trazendo, tirando até o tenente Tiago do sério. E agora, para completar, uma porra de um pé machucado. "Que merda!", Renan não consegui parar de pensar. Isso porque no dia seguinte teria que aparecer no quartel, correndo o risco da fofoca da transa já ter espalhado pelos colegas de farda. Afinal de contas, o que o ninfeto do Samuel poderia estar tramando pelas suas costas? O Caçula voltou pra casa tentando não mancar muito, para que o irmão mais velho não fizesse tantas perguntas. Quando abriu a porta da sala, no entanto, ele não estava por ali, então o moleque aproveitou e foi direto para a cozinha. Pegou alguns cubos de gelo da forma no freezer, enrolou tudo numa bolsa plástica e também num pano, depois foi pro quarto e deitou encostado na cabeceira da cama, numa altura favorável para lidar com o próprio pé dolorido e inchado. Enquanto aplicava aquela bolsa de gelo improvisada, lembrou-se de um detalhe crucial demais para não ser rememorado: o rabo do aspira estava quente e úmido de porra, alguém havia comido ele. Na mente, as palavras do irmão mais velho ecoaram.

- "Toda e qualquer putaria não será tolerada, recruta. Não adianta tagarelar!".

"Até parece! Que hipócrita!", pensou.

Esticou as pernas, subiu um pouco as bordas da calça e analisou o estrago da provável contusão. A última frase passeando na mente foi bem nítida.

- "Tu me paga, Samuel!"

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Parte 2: "Queda" e "Dois Viciados".

Vocês acompanham a produção da versão completa de "Pé de Moleque (Caçula)" só aqui no wattpad: http://goo.gl/yPbp4v

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Comentários

22/06/2018 00:53:51
não tirem os olhos de mim!
18/06/2018 17:10:18
ainda bem que o Joao nao e burro,e o Angelo dizendo que nao fez nada, mais e muito cara de pau, so quero saber o que vai acontecer, ancioso pelos proximos capitulos, quero ver o proximo passo do Joao e quero saber o que o Angelo vai fazer, sera que ele vai tentar reconquistar o Joao de volta? ancioso aqii
18/06/2018 14:15:44
Tá dando muita volta.
18/06/2018 13:37:33
Olha que agora estou acompanhado pelo Wattpad e atualizo aqui também...

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